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  • Estrada vira patrimônio nacional

    Porto Velho – A Estrada de Ferro Madeira Mamoré (EFMM) será tombada como patrimônio histórico nacional. A cerimônia de tombamento será realizada no dia 10 de novembro, no Rio de Janeiro. O anúncio foi feito pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

    O processo de tombamento da EFMM tramita no IPHAN há cerca de 10 anos. Nos últimos dois, passou a ser defendido também pelo deputado federal Eduardo Valverde (PT-RO). “Finalmente a estrada de ferro teve sua importância e valor histórico reconhecidos, o que significa uma grande vitória para o povo de Rondônia”, afirmou o deputado.

    Segundo Valverde, o tombamento representa mais uma ação de recuperação da importância histórica da EFMM. “É mais uma conquista do povo de nosso Estado, que via na destruição do acervo da ferrovia, um descaso para com a memória de todos aqueles que

    participaram, inclusive com suas vidas, da construção da obra”, disse.

  • Leite de seringueira vira tecido

    Vale do Anari – Os seringueiros do Vale do Anari e do município de Machadinho do Oeste, em Rondônia, encontraram uma forma de explorar economicamente as seringueiras nativas das reservas extrativistas da região, sem prejudicar o meio ambiente. Eles extraem o látex in natura das árvores e o aplicam numa base de pano, fabricando o material que está sendo chamado de tecido da floresta. O produto foi a evolução do saco defumado, tradicionalmente usado pelos seringueiros.

    O tecido da floresta se destaca pela beleza e pela versatilidade, podendo ser usado na confecção de roupas, nos acessórios de modo em geral e na decoração de ambientes. De acordo com o presidente da Cooperativa dos Povos da Floresta da Amazônia, Erni Santos Lima, a durabilidade média do tecido é de cinco anos. Cada manta, medindo aproximadamente 0,80 x 1,20 m, custa R$ 20,00.

    Mercado da floresta
    O tecido fabricado pelos seringueiros de Rondônia será exposto na Feira Mercado da Floresta, que será realizada no período de 5 a 8 de novembro, na oca do Ibirapuera, em São Paulo.Também estarão participando da feira expositores do Acre, do Tocantins, do Amazonas, de Roraima, do Amapá e do Pará, com o apoio do Serviço Brasileiro de Apoio as Micros e Pequenas Empresas (Sebrae).

    Além do tecido da floresta, Rondônia participará da Feira com as biojóias, que estão se tornando atrativas para consumidores e empresas do ramo de arte e de artesanatos. Também será apresentado o mel de abelhas, que está em processo de franca expansão. Entre as finalidades da feira está a de mostrar o que economicamente se consegue com a preservação ambiental.

  • PF realiza Operação Bandido

    Vista Alegre do Abun㠖 A Polícia Federal deu início à mais uma operação de combate ao desmatamento ilegal na Amazônia. O trabalho, que recebeu o nome de Operação Bandido, foi iniciado no dia 29 de outubro e não tem prazo para ser encerrado. Por enquanto as ações estão sendo desenvolvidas nos municípios de fronteira dos estados de Rondônia e do Amazonas.

    A operação está sendo coordenada pelo delegado da Polícia Federal, Mauro Spósito. Segundo ele, além do desmatamento ilegal, o trabalho visa combater a grilagem de terras, o trabalho escravo e outros crimes ambientais. Até esta terça-feira, dia 1º de novembro, nenhuma pessoa havia sido presa. Já haviam sido apreendidos, no entanto, motoserras, caminhões e tratores.

    A operação já vinha sendo planejada há meses pela Coordenação de Operações Especiais de Fronteiras da Polícia Federal, mas foi deflagrada de forma surpresa na região. “Os crimes já foram constatados, mas as investigações ainda estão em andamento”, disse um dos delegados que participam da operação.

  • Quilombolas formam vila

    Romão e Epifânio são os mais antigos
    Romão e Epifânio são os mais antigos

    Vale do Guaporé – Às margens do Rio Guaporé, no município de São Francisco, em Rondônia, está localizada a Comunidade de Santo Antônio, formada por descendentes de quilombolas de um antigo Quilombo. 16 casas de palha abrigam 104 pessoas de uma mesma família. “Aqui quem não é neto, é sobrinho, primo ou cunhado de alguém”, disse o jovem Roberto Lopes Barros, líder da comunidade.

    Casas deixadas por seus moradores com portas e janelas abertas dão sinais da tranqüilidade existente no local. “Vivemos em harmonia. Aqui não sabemos o que é criminalidade”, disse Roberto. A maior dificuldade enfrentada, segundo os moradores, sempre foi o fato da comunidade estar localizada em área de reserva biológica, o que impedia o trabalho no plantio e na comercialização de produtos agrícolas. Com o recente reconhecimento como Comunidade Quilombolas, a expectativa é a de que a vida em Santo Antônio possa melhorar. Entre outras dificuldades, está o atendimento na área de saúde, que é prestado somente em Costa Marques. O acesso até a cidade é somente pelo rio. “Gastamos 2h30min de barco voadeira para chegar a Costa Marques”, informou Roberto.

    Quanto à preservação da área, Roberto disse que não será prejudicada. Segundo ele, a intenção é a de transformá-la em reserva extrativista, de forma que a comunidade possa viver não só da pesca e da mandioca, mas também do cultivo de produtos como arroz e feijão e da exploração do potencial turístico do local. “Queremos segurança para poder viver aqui, sem estarmos preocupados com a possibilidade de receber, de repente, uma ordem de despejo”, disse.

    Os que chegam de fora
    Os únicos moradores que não nasceram em Santo Antônio, são os que se deslocaram para o local após casar-se com um dos descendentes de quilombolas. A professora da escola da comunidade, Rosália Coelho Aranha, é uma destas pessoas. Ela dá aula para 15 alunos de 1ª a 4ª série, que estudam numa mesma sala e num único expediente.

    Os irmãos Romão e Epifânio Lopes Calasans, de 64 e de 68 anos, são os descendentes de quilombolas mais antigos de Santo Antônio. Eles acreditam que o número de moradores, que diminuiu com o passar dos anos, volte a crescer, já que a comunidade deixou de ser reserva biológica. “Estudei nesta escola. Na época éramos em 86 alunos”, disse Romão. Satisfeito com a vida que leva, ele não pensa em deixar o local. “Meus pais nasceram aqui. Eu nasci aqui e esta sempre será a minha terra”, afirmou.

  • A Amazônia chora e pede socorro

    Observe a bela perfeição que é a nossa complexa região. Se um elo no seu ciclo for quebrado ou mesmo levemente alterado, estamos sujeitos a mudanças bruscas no seu comportamento. A Amazônia vem dando sinais de que as coisas no seu interior não estão ocorrendo dentro do padrão preestabelecido (muito desmatamento, implantação de monocultura, e outras atividades que estão sendo impostas para servir de modelo para a região) e nós não estamos ou não queremos compreender os seus reclamos.

    As coisas ainda não estão tão catastróficas, porém temos que fazer alguma coisa. Só depende de nos! Enquanto não aprendermos a usar sem abusar da Amazônia, a tendência é de piorar, ou talvez chegarmos a uma completa e total mudança no comportamento do seu ciclo hidrológico. Se isso acontecer! Nós estaremos diante de um quadro devastador e irreversível. A Amazônia completamente alterada e modificada pelo modelo econômico imposto.

    Devemos pensar e começar a desenvolver um novo modo de vida, um novo modelo de desenvolvimento para nossa região, sem que tenhamos de devastá-la. Ela tudo nos oferece e o que necessitamos é aprender usá-la. E usar de modo SUSTENTAVEL para que ela possa também prover o seu próprio sustento.

    Essa seca que esta ocorrendo em nossa região, provavelmente seja um reflexo do que vem acontecendo com o desenvolvimento até agora imposto – o do lucro fácil – sem que se observe a real utilidade que representa a Amazônia no contexto global. O Governo continua a igualar desiguais como iguais. As características geoquímicas, químicas e hidrológicas, são completamente diferentes das demais regiões do país. Os ciclos biogeoquímicos e hidrogeoquímicos, seguem um padrão genuinamente Amazônico, susceptíveis de sofrerem modificações com as alterações causadas em seus ecossistemas. São ecossistemas frágeis, porém, perfeitamente adaptados ao meio ambiente.

    Necessitando de uma melhor compreensão por parte das pessoas que formulam as políticas voltadas para a Amazônia. O modo de vida, o saber regional, não é levado em consideração. Procura-se impor um desenvolvimento que não condiz com a complexidade da realidade amazônica. A água é vida! É a vida da região Amazônica. Sem ela não se faz nada.

    Os problemas são enormes, modifica completamente o modo de vida das pessoas que moram no interior do Estado. Cidades estão isoladas (se em outros Estados é a água que isola as comunidades, aqui é a sua falta), não existe comunicação (meio de transporte completamente alterado), saúde deficitária, falta alimento, mortalidade incalculável de peixes, não existe saneamento, colégios fechados, ETC, ETC, ETC, … É um panorama triste de se vê e de viver. Muda completamente o paisagismo, onde ontem existia água, agora é o solo (leito do rio, lago) ressecado, é o preço que temos que pagar por políticas impostas e por modelos de desenvolvimento que não estão adequadamente corretos.

    A Amazônia chora, pede socorro, e nós temos que pagar pelos erros de nossos governantes. Até quando ela suportará os desmandos! A falta de investimento! E até quando vai a incerteza do Governo, no equacionamento de uma política genuinamente voltada para a Amazônia? Será que a Amazônia também não é Brasil?

    O Governo Federal precisa sair de seu populismo medíocre! Só existe dinheiro quando as coisas chegam a alcançar o grau de CALAMIDADE PÚBLICA. As soluções existem, só necessitam de vontade, inteligência e muito investimento na EDUCAÇÃO e PESQUISA para se alcançar o resultado. Sem isso, a Amazônia vai continuar a chorar, vai continuar a pedir socorro e o preço a ser pago será muito elevado.

    Sergio Roberto Bulcão Bringel

    Químico, doutor em Agronomia na área de Concentração de Solos e Nutrição de Plantas

    Especialista em Hidrogeoquímica, voltada para a Região

    Amazônica.

    Coordenação de Pesquisa em Clima e Recursos Hídricos CPCRH/INPA

    bringel@inpa.gov.br

  • ONG quer preservar a água

    Cacoal – A Organização Não Governamental (ONG) H2O Amazônia Ambiental, criada há cerca de um ano, com o objetivo de combater a agressão ao meio ambiente, elegeu a água como prioridade de trabalho. Os membros da entidade estão mapeando todas as informações em relação aos recursos hídricos da região. “Decidimos priorizá-la, porque estamos cientes de que trata-se de uma riqueza local que não recebe a devida atenção”, disse o presidente da H2O, Jaridson Costa.

    A ONG é formada por 15 pessoas, representando vários segmentos sociais do município. Segundo o presidente, a criação da entidade foi motivada pela intenção de um grupo de pessoas em preservar um berçário de aves existente no Igarapé Tamarupá, afluente do Rio Machado, que corta a região de Cacoal, município sede da entidade. O local é considerado um santuário ecológico.

    De acordo com o presidente, a ONG é formada por pessoas sensíveis as urgências da comunidade local, a partir da defesa do Rio Machado, “que é um dos tributários do Amazonas, o maior rio do planeta, que tem também a maior bacia hidrográfica e o maior sistema aquático de rios do mundo”.

    Campo de pesquisa
    Segundo o presidente da H2O, a ONG visa também fomentar dados no campo da pesquisa em outras cidades e estados da região norte e centro oeste. “Isto já está se desenhando através de um consórcio de municípios afetados pelos mesmos problemas e com mesmo potencial de organização, tanto pela sociedade quanto pelos governos locais”, afirmou.

    Entre os compromissos firmados pela ONG, está o de promover a compreensão dos problemas sócio-ambientais no Estado de Rondônia que, junto com os Estados do Pará e do Mato Grosso, formam o chamado arco do desflorestamento, possuindo a maior área de degradação da floresta amazônica. “Com a responsabilidade de contribuir para transformações nas atitudes ecológicas, tendo como marco norteador a educação ambiental, a H2O vem trabalhando com as multidimensões geográficas, históricas, biológicas e sociais, considerando o ambiente amazônico como um todo”, disse.

  • Análise mostra poluição de rio

    As águas do rio são impróprias para o consumo e para recreações
    As águas do rio são impróprias para o consumo e para recreações

    Ji-Paraná – Um laudo pericial realizado a pedido do Ministério Público, mostrou que as águas do Rio Machado, na região urbana de Ji-Paraná, são impróprias para o consumo e para recreações de contato primário, onde há possibilidade de ingestão de água. A análise detectou que as águas ultrapassam os índices bactereológicos permitidos – acima de 1.000 coliformes fecais e 5.000 coliformes totais por 100 mililitros. A maior parte do esgoto da cidade é lançada no rio.

    O laudo foi elaborado pelo geólogo Roberto Corder e pelo engenheiro agrônomo João Alberto Ribeiro, assessores técnicos do Ministério Público. De acordo com o promotor Alan Castiel Barbosa, curador do meio ambiente, o trabalho de fiscalização está sendo desenvolvido com o apoio do Ibama, da Sedam e da Caerd, que é a empresa responsável pelo fornecimento de água no município. Segundo ele, além dos danos ao meio ambiente, a poluição pode causar doenças aos moradores que consomem a água e o peixe do rio, além dos que usam o local como recreação. Apesar da fonte da água distribuída no município ser o Rio Urupá, muitas pessoas, a exemplo dos moradores ribeirinhos, consomem a água do Machado.

    Problema antigo

    O próximo passo agora, segundo o promotor, será reunir representantes do Ministério Público, do Ibama, da Sedam, da Prefeitura, da Caerd e de outras entidades ligadas a área social e ao meio ambiente, para tentar resolver o problema. Ele disse que a fiscalização deverá ter continuidade e que deverão ser encontradas saídas definitivas. Uma delas seria fazer com que o esgoto deixasse de ser lançado ao rio.

    O promotor esclareceu, porém, que a princípio o Ministério Público não vai impor nada. A idéia é conversar e tentar encontrar uma solução junto com as demais entidades envolvidas. “É um problema antigo, que está prejudicando pessoas carentes e o meio ambiente, então temos que entrar em consenso e tentar solucioná-lo”, disse.

  • Uma vida dedicada ao meio ambiente

    Bernardo José Pereira trabalhou em defesa do meio ambiente desde criança
    Bernardo José Pereira trabalhou em defesa do meio ambiente desde criança

    Costa Marques – O maranhense Bernardo José Pereira trabalhou em defesa da natureza desde criança. Dedicou tempo, dinheiro e sonhos ao que ele chama de “uma espécie de Deus”. Hoje, com 58 anos de idade, ainda vive em função do meio ambiente. Mora no Parque Ecológico Lagoa Azul, localizado a 2 quilômetros da cidade de Costa Marques. Na área, de 5 hectares, Seu Bernardo, como é conhecido na região, plantou 60 mil árvores. Entre as espécies de plantas cultivadas por ele, há desde flores, como a menor orquídea do mundo, a variedades de madeiras nobres, como o mogno. Leia entrevista abaixo.

    Amazônia a Vista : Desde quando o Sr. descobriu esta paixão pela natureza?

    Seu Bernardo: Tudo começou aos cinco anos de idade. Eu descobri a maravilha que é a natureza, que vida e natureza são a mesma coisa, ou seja, não existe vida fora da natureza, portanto qualquer dano contra a natureza atenta diretamente contra a vida.

    Amazônia a Vista: Qual seu grau de instrução?

    Seu Bernardo : Sou autodidata. Nunca freqüentei escola, mesmo assim consegui fazer vários cursos, como o de eletrônica, de panificação e de botânica. Hoje trabalho como artesão, mas na verdade sou ambientalista. Alguns me chamam de ecologista, porque sou estudioso das plantas, mas ser ambientalista vai além de um simples estudo sobre plantas. É preciso amar a vida acima de tudo e isso não se aprende na escola. É um dom de nascença.

    Amazônia a Vista : O Sr. tem preferência por algum partido político?

    Seu Bernardo : Não. Minha política é exclusivamente ambiental.

    Amazônia a Vista: Tem religião?

    Seu Bernardo : Sim. Amo, adoro, respeito a natureza religiosamente. A natureza representa para mim uma espécie de Deus, ou pelo menos a legítima representante de Deus aqui no planeta terra. Está relacionada diretamente com a vida. Amar, respeitar e proteger a natureza é a minha religião.

    Amazônia a Vista : O Sr. dedicou sua vida à preservação da natureza?

    Seu Bernardo : Sim, dediquei e dedicaria 10 vidas se eu as tivesse.

    Amazônia a Vista : Soube que o Sr. ganhou bastante dinheiro com seu trabalho nas oficinas.

    Seu Bernardo : Ganhei mais ou menos 1 milhão de reais nos valores de hoje.

    Amazônia a Vista : Onde está este dinheiro?

    Seu Bernardo : Gastei tudo produzindo mudas, apagando incêndios, plantando árvores, pesquisando alternativas de desenvolvimento sustentado, viajando, buscando e repassando conhecimentos para um desenvolvimento menos predatório do que este, imposto pelas políticas públicas.

    Amazônia a Vista : O Sr. tem alguma propriedade?

    Seu Bernardo : Tudo que tenho é esta chácara. Plantei aqui 60 mil plantas. Este local abriga uma das maiores biodiversidades plantadas do Brasil. Infelizmente boa parte das plantas, principalmente as mais raras e sensíveis estão sendo destruídas pelo fogo, invasão de gado, poluição externa e falta de recursos.

    Amazônia a Vista: Que tipo de trabalho já foi desenvolvido aqui?

    Seu Bernardo : Montei viveiros de plantas, produzi mudas, fiz acordos com madeireiros, com o Ibama e conseguimos devolver à natureza 22 milhões de mudas. Se não deu certo a culpa não foi minha. Os responsáveis pelas árvores plantadas não as protegeram e as áreas reflorestadas viraram pastagens. Até quatro anos atrás eu mantinha quatro funcionários aqui. Juntos mantinhamos os viveiros, apagávamos incêndios nas florestas, colhíamos sementes, juntávamos lixo. Foram 20 anos fazendo este trabalho aqui em Costa Marques.

    Amazônia a Vista: De onde vinham os recursos usados na manutenção da chácara?

    Seu Bernardo : Aqui existia um rio limpo, onde corria água o ano inteiro. Estruturei a chácara e a usava como balneário. Com o dinheiro das mudas e das polpas de frutas que vendíamos dava para ir conciliando, sem muitos problemas. Tenho também uma área de terra conhecida como Parque das Orquídeas. Já dei entrada no Ibama, pedindo o reconhecimento dela como RPPN -Reserva Particular do Patrimônio Natural. Lá construí trilhas onde eu já explorava o ecoturismo, levando turistas, pesquisadores e alunos da Unir e de outras universidades.

    Amazônia a Vista : E hoje, de onde vem os recursos?

    Seu Bernardo : Bem, o nosso rio foi assassinado. Jogaram porcos e gado nas nascentes. Lutei 10 anos, mas não consegui que ninguém fizesse nada. O rio está morto igual ao Rio Tietê. Construí uma piscina, trouxe luz elétrica, mas não tive dinheiro para terminar a estrutura, como você está vendo. Nas trilhas ecológicas onde eu ganhava alguns trocados estou impedido de entrar.

    Amazônia a Vista : Com que recursos o Sr. mantém sua família?

    Seu Bernardo : Estou vivendo de artesanatos e das polpas de frutas produzidas aqui, que vendo para os colégios e para a Prefeitura.

    Amazônia a Vista : Porque o Sr. não pode entrar na futura RPPN?

    Seu Bernardo : Você sabe que atrás de um ambientalista existe sempre um fazendeiro cheio de razão. Um destes achou por bem fechar a passagem, já que a reserva está na fundiária, mas a Justiça está cuidando disso.

    Amazônia a Vista : O seu trabalho já foi notícia no mundo inteiro. O Sr. nunca conseguiu um projeto para apoiá-lo nesta causa?

    Seu Bernardo : Não, mesmo porque o Poder Público não apóia pessoa física e também não sou político. Minha política é única e exclusivamente ambiental. Não tiro uma única folha da natureza sem avaliar os prejuízos futuros para os seres vivos e a classe política não morre de amores por ambientalistas, nem pelo meio ambiente. Todos têm muita pressa em enriquecer.

    Amazônia a Vista : Como estudioso e pesquisador de modelos de desenvolvimento sustentado, o que o Sr. acha deste modelo atual?

    Seu Bernardo : Isso não é um modelo. É um desastre. Ninguém em sã consciência acredita que uma família possa viver, possa criar os filhos e educá-los, criando boi em quatro alqueires de terra, que é o que ela tem direito, dos 21 recebidos pelo INCRA.

    Amazônia a Vista : O Sr. acha que é pouca terra?

    Seu Bernardo : Não. A terra é o suficiente para uma família viver por várias gerações. O que está errado é o modelo. Ninguém vive apenas criando boi. Existem outras culturas. O Governo tem e pode elaborar projetos de zoneamento e identificação de aptidões para as culturas. Se no sul se produz uvas, aqui podemos produzir cupuaçu. Se em São Paulo se produz flores, aqui se produz açaí e assim por diante. Nossos produtos são apreciados no mundo todo. Só nos faltam políticas voltadas a este tipo de desenvolvimento.

    Amazônia a Vista : Como o Sr. vê o desenvolvimento do setor madeireiro?

    Seu Bernardo: Olha, peço para não opinar sobre este assunto. Peço também para não responder nada sobre desmatamento. Questão de segurança.

    Amazônia a Vista : O Sr. sofre muita pressão?

    Seu Bernardo : As vezes aparecem cartas anônimas, telefonemas com ameaças, mas já aprendi a conviver com isso. Acredito que essas coisas partem de pessoas desocupadas, porque quem tem o que fazer não faz este tipo de besteira.

    Amazônia a Vista : O Sr. está satisfeito com a vida que escolheu?

    Seu Bernardo : Sim. Faço o que gosto de fazer, moro num paraíso e nunca fiz nada do que me envergonhar. Já ganhei vários títulos de honra ao mérito pelo meu trabalho. Agora ganhei o título de cidadão honorário de Costa Marques, cidade que escolhi para viver e para desenvolver meu trabalho. Vivemos aqui num município bonito, com belezas naturais de sobra, como rios, praias, monumentos históricos, fauna e flora quase intocáveis, cidade de um povo ordeiro e pacato.

    Amazônia a Vista : O Sr. construiu muitos inimigos ao longo de sua via de ambientalista?

    Seu Bernardo : Não, mesmo porque meu trabalho consiste mais em educar. Não denuncio ninguém. Agora, existem pessoas inescrupulosas, que usam a força e a violência para conseguir o que querem, mas estas pessoas são logo identificadas pela sociedade, que as rejeita. São lixo dos piores.

    Amazônia a Vista : O Sr. nunca pensou em parar?

    Seu Bernardo : Ainda não. Gente como eu só para quando morre. Pretendo fazer tudo que ainda não fiz. Agora mesmo estou empenhado na criação de mais uma RPPN, que é um luxo. Você precisa conhecê-la.

  • Amazônia já perdeu 16% de suas matas

    A Amazônia Brasileira é vítima de um desmatamento acelerado
    A Amazônia Brasileira é vítima de um desmatamento acelerado

    A Amazônia Brasileira é vítima de um desmatamento acelerado. De acordo com dados do Ministério do Meio Ambiente, 652.908 quilômetros quadrados, correspondentes a 16% de sua área, já foram desmatados. “A pressão humana na Amazônia, que era de 03% em 1970, saltou para 16%, em 35 anos, disse Jaridson Costa, presidente da H20 Amazônia Ambiental, uma Organização Não Governamental (ONG) criada em Rondônia para combater a agressão ao meio ambiente”.

    Em 2004 foram desmatados 26 mil quilômetros de florestas na região. Nos dois anos anteriores o desmatamento girou em torno de 25 mil quilômetros. “Perdemos uma área do tamanho do estado de Sergipe por ano, no bioma Amazônia”, disse Jaridson. Segundo ele, as principais causas seriam a expansão das fronteiras agrícolas e o aumento das áreas de pastagens para pecuária. Ele citou como exemplo os plantios de soja que se alastram pela Amazônia brasileira, criando o chamado deserto verde.

    As áreas desmatadas seguem o curso das estradas oficiais e eixos de desenvolvimento da Amazônia. “As estradas oficiais propiciam a abertura de estradas não oficiais, que não aparecem no monitoramento por satélite”, lembrou Jaridson.

    Aquecimento global
    Segundo Jaridson, os efeitos da perda de floresta na Amazônia são vários, mas o mais grave é a contribuição ao aquecimento global, o chamado efeito estufa, que provoca alterações climáticas da terra. “Essa perda de floresta implica também no processo de savanização da Amazônia, o que é potencializado com as queimadas, causando problemas respiratórios graves à população”, disse. Com o desmatamento e as queimadas e conseqüentemente, a destruição da fauna e da flora, muitas espécies de árvores e de animais também se tornam sujeitas ao desaparecimento.

  • Prêmio valoriza ações para conservação da Amazônia

    Trabalhos individuais ou coletivos voltados para conservação e preservação da Amazônia poderão concorrer à quarta edição do Prêmio Chico Mendes de Meio Ambiente, nas categorias Liderança Individual, Associação Comunitária, Organização Não-Governamental, Negócios Sustentáveis, Ciência e Tecnologia e Arte e Cultura. As inscrições estão abertas, são gratuitas e podem ser feitas por remessa postal registrada até 11 de novembro.

    As inscrições devem ser endereçadas ao Prêmio Chico Mendes de Meio Ambiente; Caixa Postal 10805; CEP 70306-970 – Brasília – DF. O prêmio é aberto a pessoas físicas ou jurídicas, com ou sem fins lucrativos, e instituições de pesquisas públicas e privadas.

    Criado em 2002 pela Secretaria da Amazônia do Ministério do Meio Ambiente, vem reconhecendo e estimulando iniciativas individuais, comunitárias, de ONGs, empresas e pesquisadores que contribuem para o desenvolvimento sustentável da Amazônia. A idéia é identificar experiências relevantes e difundí- las para despertar a população para a necessidade da preservação e da recuperação ambiental.

    Na primeira edição do prêmio, em 2002, Marina Silva, então senadora, foi a vencedora na categoria Liderança Individual. Também já foram premiados grupos como a Associação dos Seringueiros do Cazumbá, Comissão Pró-Índio da Acre, Associação em áreas de Assentamento no Estado do Maranhão e Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu.

    A Comissão Julgadora concluirá o relatório de avaliação até 30 de novembro, e os vencedores serão divulgados entre os dias 1º e 9 de dezembro.

    Fonte: Ministério do Meio Ambiente