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  • ANA forma banco de dados sobre água e cultura

    A Agência Nacional de Águas (ANA) está formando um banco de dados sobre a água na cultura brasileira. O acervo inclui desde músicas e canções populares, poesias, livros e peças de teatro até manifestações na escultura, pintura, paisagismo, arquitetura e urbanismo. Também estão sendo registradas expressões sobre o tema na língua portuguesa e nas línguas indígenas, bem como no humor, nas tradições religiosas e nos rituais e crenças populares.

    A iniciativa está alinhada com o tema escolhido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) para celebrar, em 22 de março de 2006, o Dia Mundial da Água. A data foi adotada pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 1992 e tem um tema específico a cada ano. A celebração do Dia Mundial da Água tem por objetivo fomentar em todo o mundo, de acordo com o contexto e as prioridades de cada nação, atividades de conscientização pública sobre a conservação e o uso da água, assim como a implementação da Agenda 21.

    O resultado do trabalho da ANA, bem como outras iniciativas brasileiras sobre o tema, será apresentado nos eventos associados à 8ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP-8), entre os dias 20 e 31 de março, em Curitiba.

  • Aprovado Plano Nacional de Recursos Hídricos

    O Brasil é o primeiro país da América Latina a possuir um Plano Nacional de Recursos Hídricos sob a ótica da gestão integrada. O documento foi aprovado nesta segunda-feira, dia 30, por unanimidade, pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos e traz um conjunto de diretrizes, metas e programas para garantir o uso racional da água no Brasil até 2020.

    Ao abrir a reunião do Conselho, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, ressaltou o caráter inovador do plano brasileiro, que leva em conta não apenas aspectos hídricos, mas também fatores econômicos, culturais e sociais. Ela acrescentou que a matéria é de vital interesse para o País, que concentra 12% das reservas mundiais de água doce.Segundo a ministra, o desafio agora será a implementação do plano nas mesmas bases em que ele foi elaborado, “com ampla participação social, a partir do olhar dos usuários da sociedade civil e dos demais entes do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos”..

    O Plano Nacional de Recursos Hídricos foi elaborado pela Secretaria de Recursos Hídricos do MMA, em parceria com a Agência Nacional de Águas (ANA), CNRH, e contou com a participação de cerca de sete mil pessoas, por meio de oficinas e seminários realizados em todo o Brasil. O documento traz metas de curto, médio e longo prazos e propõe a implementação de programas nacionais e regionais, bem como a harmonização e a adequação de políticas públicas, visando estabelecer o equilíbrio entre a oferta e a demanda de água.

    O objetivo é assegurar as disponibilidades hídricas em quantidade e qualidade para o seu uso racional e sustentável.

    O secretário de Recursos Hídricos do MMA, João Bosco Senra, destacou que, ao elaborar o plano, o Brasil cumpre compromissos internacionais como o assumido com a Organização das Nações Unidas e com a Cúpula Mundial de Joanesburgo para o Desenvolvimento Sustentável (Rio + 10), que estipulou o ano de 2005 para que os países apresentassem seus planos de gestão integrada de recursos hídricos. “O Brasil é um dos poucos países do mundo e o único na América Latina a cumprir essa meta”, disse, acrescentando que, por esta razão, será apresentado no México, durante o 4° Fórum Mundial das Águas, entre os dias 16 e 22 de março de 2006.

  • Complexo turístico explora a natureza

    As belezas naturais são as principais atrações da área
    As belezas naturais são as principais atrações da área

    Cacoal/RO – As belezas naturais da região amazônica são as principais atrações do Cacoal Selva Park, um complexo turístico localizado a 12 km da área central da cidade. Além de sua estrutura hoteleira, formada por cabanas rústicas e apartamentos, o complexo oferece opções de lazer ligadas diretamente a natureza, como trilha ecológica, pista de arborismo, piscinas e lagos abastecidos por água mineral, além de várias espécies de animais silvestres. O complexo, que em 2001 foi transformado em Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), é formado por 300 hectares, sendo 165 de área preservada.

    A área foi adquirida pelo empresário Nério Bianchini em 1978 e apesar de sempre ter sido utilizada para o lazer, só passou a ser explorada como uma opção do turismo ecológico a partir dos últimos cinco anos. Há na reserva, amostras da flora e da fauna amazônica, que atraem não só a atenção de turistas, mas também de pesquisadores da região. O local é habitado inclusive por animais silvestres como capivara, anta, onça pintada e macaco, além de muitas araras.

    As fontes de água natural são as principais riquezas da reserva. “Todo o parque, desde as cabanas aos lagos e piscinas, é abastecido naturalmente pelas nascentes ”, disse Nério. Segundo ele, a água já foi analisada e apresentou 100% de pureza, sendo considerada própria para o consumo humano.

    Contemplação da natureza

    A pista de arborismo, a primeira do Estado, é a mais nova opção de lazer oferecida pelo Cacoal Selva Park. São 500 metros de percurso no ar, em pontes sustentadas pelas próprias árvores nativas da região. “É uma travessia segura, feita com o acompanhamento constante de guias treinados”, explicou Vera Bianchini, uma das proprietárias.

    O arborismo funciona como uma opção de esporte radical e como uma forma de contemplação da natureza, já que enquanto faz a travessia, o turista aprecia a diversidade biológica da reserva. “É um esporte bonito e que tem tudo a ver com nosso público”, disse Vera.

  • Convention discusses bio-piracy

    Brasília – The Eighth Ordinary Meeting of the Conference of the Parties to the Convention on Biological Diversity will be held in Curitiba, Brazil (20 – 31 March 2006), it will treat at least two themes of great interest of indigenous people and local communities: the access and partition of benefits originating from of the use of genetic resources and protection of the so calls traditional knowledge associated to the biodiversity. The two items are important to combat one of the principal problems faced by the several countries: the bio-piracy.

    The Convention about Biological Diversity (CBD) was the first international legal instrument to recognize the relevance of the knowledge, innovations and indigenous and local communities’ practices for the conservation and maintainable use of the biological diversity (Article 8(j) and 10c).

    “As result of those devices, and the organized fight of those communities representatives in the last decade, they have a considerable political space to participate and to influence the process of CBD “, detaches Bráulio Ferreira of Souza Dias, manager of the Conservation of the Biodiversity of the Ministry of the environment (MMA).

    In this line, since last year, the Ministry invests in the leaders’ training, so that these communities can participate in the event in an effective way. Besides a spelling book, explaining how the convention works; three courses were promoted, in Curitiba, São Luís and Manaus, Brazilian capital cities.

    Among the discussed themes there were historical, present time and international perspectives of CBD and of COP 8; agro biodiversity and public politics; indigenous millenarian knowledge; preservation, recovery and maintainable use of the biodiversity in indigenous lands. The Ministry of the environment is also supporting financially the trip of leaderships to the preparatory meeting of COP 8, that will happens in the end of January, in Granada, Spain.

    Principal themes

    Among the principal discussion points in COP 8 is the negotiation for the creation of an International Regime of Access and Partition of the Benefits of the Biodiversity. Among other rules, Brazil defends that the regime is linked, in other words, it should have rules to be accomplished obligatorily by the signatory countries and that also regulates the theme of the traditional knowledge.

    The fight for the creation of this regime was born when verified that the genetic resources and the traditional knowledge associated to the biodiversity have been accessed systematically by research institutions and companies of technological development of user countries (poor in biodiversity and rich in biotechnology). Although some of the signatories countries of CBD have servant specific legislations for the theme, they have not been respected out of the national jurisdictions.

    Now, as an instrument that guarantees the respect to those legislations doesn’t exist, the access has been accomplished without the free consent and informed of the population that has the genetic resources and traditional knowledge.

    Those illegal accesses have result in requests of rights of intellectual property ( patents, registration, marks, etc) that, in general, don’t distribute benefits. The international negotiations on the theme have strategic importance to Brazil that is the country of larger biodiversity and one of the great providers of genetic resources. Some estimates point that the world market of biotechnology, which uses the active beginnings and existent genetic codes in the nature, moves, a year, a total value that can surpass U $700 billion.

  • ONGs italianas constroem hospital na Amazônia

    Cerca de 40% das obras encontram-se em fase de conclusão
    Cerca de 40% das obras encontram-se em fase de conclusão

    Cacoal/RO – A Associação São Daniel Comboni, entidade da igreja católica, está construindo em Cacoal, o maior hospital da região. A unidade ocupará 15 mil m2 de área construída e oferecerá atendimento nas especialidades de oncologia, cardiologia, traumatologia e doenças tropicais. O projeto está sendo executado com recursos viabilizados pelas Organizações Não Governamentais (ONGs) Senza Frontiere e Ingegneri Oltre e com o apoio da população do município.

    O projeto está avaliado em R$ 40 milhões. A unidade está sendo construída no Bairro Eldorado, a cerca de 2 quilômetros da região central da cidade, em um terreno de 50 mil m2, doado pelo morador local, João Pichek. Segundo o padre Franco Vialetto, presidente da Associação São Daniel Comboni, o Governo do Estado e a Prefeitura Municipal colaboraram com os serviços de terraplanagem, mas o apoio maior está sendo dado pelas ONGs italianas e pelo povo de Cacoal. A comunidade colabora com doação de materiais de construção e de mão de obra.

    O hospital deverá desenvolver também, em parceria com outras instituições, pesquisas na área da saúde que envolvam o estudo de plantas medicinais da Amazônia. De acordo com o padre, a equipe de técnicos que vai comandar o hospital, já está sendo formada. “Estamos mantendo contato com médicos e outros profissionais da área e há muitos manifestando interesse em trabalhar no hospital”, disse.

    Dificuldades com a Receita Federal
    A construção do hospital teve início em julho de 2004. Cerca de 40% das obras encontram-se em fase de acabamento, no entanto, Franco Vialetto prefere não marcar prazo de conclusão. Ele argumenta que nas obras de Deus não há cálculo humano. “É caminhando que se encontra colaboradores, pessoas de boa vontade”, disse.

    Franco Vialetto reclama, no entanto, das dificuldades enfrentadas junto a Receita Federal no sentido de receber equipamentos doados pelas ONGs italianas. Ele informou que há, na Itália, três carregamentos de equipamentos e materiais prontos para ser encaminhados ao Brasil, mas estaria havendo dificuldades para se conseguir a liberação de importação.

  • Exército apreende trinta castanheiras em operação

    Ariquemes/RO- Os soldados do Exercito Brasileiro que desembarcaram em Ariquemes no dia 27.03 retornaram ao 5º Batalhão de Engenharia e Construção (BEC), levando mais de 100 metros cúbicos de madeiras, que foram apreendidas em operação conjunta com o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), todas em Alto Paraíso.

    O município de Alto Paraíso, junto com Ariquemes, Buritis, Campo Novo, Cujubim, Monte Negro e Machadinho do Oeste formam os pontos de maior concentração de extração ilegal de madeiras. O comandante da operação, tenente Renato Acácio Suffi, revelou que foram apreendidas cerca de 30 toras de castanheira, espécie cuja extração é proibida por lei federal e corre o risco de extinção.

    Para a operação que durou apenas um dia, o exército disponibilizou seis caminhões e um ônibus. Todos os caminhões voltaram para o 5º BEC carregados. “O Exército Brasileiro trabalhou apenas em apoio ao Ibama, que dispõe de pequeno quantitativo de homens e equipamentos para fazer a remoção da madeira ilegal”, revelou o tenente Suffi.

    Novas operações
    O chefe do Ibama em Ariquemes , Evandro Haggemann, explicou que em vários municípios da região do Vale do Jamari, os donos de madeireiras deixam as toras jogadas em vias públicas. “Desta forma eles tentam burlar a fiscalização, dizendo que a madeira não é deles. Por isso solicitamos o apoio do exército para atuar no município de Alto Paraíso”, explica.

    Novas operações conjuntas entre o Exército e o Ibama não estão descartadas. “Estamos a disposição para trabalhar em prol da justiça, quando houver designação atenderemos prontamente o pedido”, revela.

  • History of Suruís portrayed in pictures

    Cacoal/RO – Suruí’s people history, from the time of the contact with the whites, to the current days, it has been portrayed in pictures, by the plastic artist Adlanes Cristóvão Suruí. With ability in the painting art in oil on screen, she is devoted mainly to show the primitive habits of the Indians. “In each picture I expose something unique of them, as the way of making ceramic”, she said.

    Suruí’s people choice was not by chance. The wife of the leader Almir Suruí, Adlanes lives together with the indigenous habits for 14 years. ‘‘ I portray the Suruís, because they are people that I know “, she said.

    The work of Adlanes pleases mainly who comes from outside. Exposed in the Non Organization Government (NOG) Kanidé, in the capital of the State, the pictures are mainly acquired for environmentalist and foreign researchers. “They like and take the pictures home “, Adlanes says.

    In spite of the satisfaction for the approval of her work, Adlanes worries when seeing that it is further the possibility of

    materialization of her project to gather a good number of pictures and to do a great exhibition. ” Here people don’t matter a lot, but outside the indigenous culture it is worth “, she said.

    The historical registrations show that the Suruí people were contacted in 1969. At that time there was a population of approximately 5 thousand people. A measles epidemic appeared after the contact, it would have reduced them to 290. Today they would be about 1.100 people, residents in villages of Cacoal town.

  • Queda no desmatamento ligada a valorização econômica

    Manaus/AM – Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) confirmaram uma redução de 67,58% no desmatamento do Amazonas. Esses índices são resultados do comparativo entre 2004 e 2005. Na área mais crítica do desmatamento, que compreende os 12 municípios do sul do Estado, o Inpe também registrou uma redução de 31%.

    Em coletiva de imprensa realizada na Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS), o Secretário Virgílio Viana, junto com o diretor executivo do Instituto Nacional de Recursos Renováveis e Meio Ambiente (Ibama), Henrique Pereira, apresentaram os motivos desses resultados positivos.

    De acordo com o secretário da SDS, esses dados são resultados da dupla valorização econômica dos produtos florestais e coerção dos crimes ambientais. “Este resultado é fruto de nossas ações positivas de apoio ao manejo florestal, licenciamento ambiental e eliminação de ICMS para produtos florestais não madeireiros”, explicou Viana.

    O diretor executivo do Ibama ressalta que esses índices foram conseguidos mesmo com toda ação contrária dos grileiros e exploradores ilegais. “Infelizmente, cerca de 90% desse desmatamento acumulado foi provocado pelo desmatamento não-autorizado. Embora tenhamos dobrado o número de autorizações, ainda há muito desmatamento ilegal.”

    Além disso, o aumento dos focos de calor e a maior estiagem dos últimos anos, que contribuem diretamente com o aumento do desmatamento, não surtiram os efeitos negativos esperados. “No ano passado foram registrados mil focos de calor no estado. Este ano, esse número subiu para quatro mil focos e ainda tivemos a estiagem”, fala Adilson Cordeiro chefe do departamento de fiscalização do Ibama.

    Para o prefeito de Lábrea, Jean Barros, as ações de incentivo ao manejo da floresta, principalmente, ligadas à produção de castanha têm permitido que o desmatamento não avance em algumas regiões do município. “Queremos que este trabalho do Zona Franca Verde se fortaleça cada vez mais e sabemos que são as práticas racionais com a natureza que tem ajudado nos avanços contra o desmatamento e esperamos que isso se amplie em 2006”, explicou.

    Ligação com a seca

    Para o professor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), o engenheiro florestal, Arnaldo Nogueira, a redução do desmatamento na Amazônia pode ter ligação com a estiagem registrada esse ano.

    “Teoricamente, esse ano deveria ter tido índices de aumento nas áreas florestais, porque com a prolongada vazante, os madeireiros teriam condições ambientais para atuar. Mas acredito que com o espaço dado a Amazônia por causa da vazante, tenham intimidado as ações dos madeireiros clandestinos”, afirmou.

    Madeira ilegal

    Estima-se que 70% da madeira extraída da Amazônia tenha origem criminosa. Ou seja, são exploradas, industrializadas e comercializadas por pessoas e empresas que desrespeitam as leis do país, disse o engenheiro florestal e campaigner do Greenpeace na Amazônia, Marcelo Marquesini.

    De acordo com ele, a clandestinidade de alguns madeireros muitas vezes ocorre devido a falta de políticas públicas dos governantes. “Não é o caso do Estado do Amazonas, porque vejo aqui grandes exemplos de trabalhos com manejos sustentáveis”, afirmou.

    Para o coordenador do programa Amazônia, da ONG ambiental WWF-Brasil, Luís Meneses, a diminuição da clandestinidade no uso ilegal dos recursos florestais só irá efetivamente acontecer quando houver uma melhoria nos problemas sociais dos moradores da floresta.

    “Sem dinheiro e com fome, todo ribeirinho é obrigado a utilizar indevidamente os recursos da floresta. Se houver melhoria nas condições de vida e social dessa classe, repercutirá no bem estar da floresta”, concluiu.

  • Impactos da seca na Amazônia são descartados

    A Amazônia ainda sente as consequências da seca, mas os ambientalistas acreditam que os rios não serão prejudicados
    A Amazônia ainda sente as consequências da seca, mas os ambientalistas acreditam que os rios não serão prejudicados

    Manaus/Am – A previsão de que a 7ª pior vazante do último século, registrada em 2005, na Amazônia, poderia causar fortes impactos no sistema ambiental da região foi invalidada por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA) e da Companhia de Pesquisa em Recursos Minerais (CPRM/Am).

    Estudos feitos pelos técnicos no mês passado indicaram que as mais de 150 toneladas de peixes mortos na seca não irão prejudicar a reprodução pesqueira. A possibilidade de haver uma enchente nas mesmas proporções em 2006, também foi descartada pelos especialistas.

    Na primeira quinzena de outubro (período da vazante), profissionais do meio ambiente como o diretor de Fauna e Recursos Pesqueiros do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama), Rômulo Melo, preveu que haveria uma diminuição significativa na quantidade de peixes para o próximo ano, devido aos impactos ambientais gerados pela seca.

    “A recuperação das águas, depois da vazante, será lenta, dificultando a migração dos peixes das águas paradas para a reprodução nos grandes rios (época da piracema). Ou seja, além dos peixes que já morreram com a diminuição das águas nos igarapés e lagos, milhares de espécies migradoras podem perecer no percurso do rio Amazonas”, ressaltou Melo.

    A mesma idéia defendia o secretário executivo de Pesca e Agricultura de Produção Rural (Sepror), Geraldo Bernadino. “Nessa vazante os igarapés e lagos diminuíram pelo menos 10 metros de altura. Esse fato pode prejudicar a produção pesqueira daqui a três anos. Isso aconteceria, porque os milhares de herbívoros e carnívoros mortos estariam se reproduzindo agora durante o mês de novembro”, explicou.

    Durante o período latente da seca (setembro a outubro), estatísticas realizadas pelo Ibama em parceria com a Sepror confirmaram a morte de mais de 150 toneladas de peixes, residentes em paranás, igarapés e lagos. De acordo com Bernadino, esses foram os locais mais afetados com a vazante, devido a obstrução dos canais fluviais por blocos de areias, gerados com a diminuição das águas.

    Peixes terão reprodução normal

    Os pesquisadores Pedro Mera, Hiroshi Noda e Sidinéia Amadio, coordenados pelo agrônomo com especialização em Biologia Aquática, Roseval Leite, do INPA estiveram nos municípios de Manaquiri, Careiro da Várzea e Manacapuru (Am), após o término da seca (27/10) e invalidaram as suposições de impacto ambiental no setor pesqueiro.

    “Peixes residentes em grandes lagos como, curimatá, pescada, sardinha, piranha e tambaqui, não serão prejudicados durante o período da piracema (época de reprodução dos peixes), devido ao processo natural de renovação das águas”, garantiu Roseval.

    Segundo o coordenador da expedição, restos das carnes dos peixes mortos que não foram absorvidos pelas bactérias se transformarão em grandes fontes de nutrientes para as terras que, juntamente com a chuva, gerará a reprodução em massa de algas, principal alimento dos peixes herbívoros.

    A possível diminuição das espécies carnívoras residentes dos lagos que morreram e não poderiam se multiplicar na piracema é contestada por Roseval. “Com o retorno das chuvas os lagos trocarão suas águas. Por isso as espécies de outros lagos não afetados estarão migrando para as regiões abaladas com a vazante. Esse fenômeno natural contribuirá para a reprodução dos carnívoros nas grandes redes fluviais, entre elas Amazonas, Solimões e rio Negro”, observou.

    Hidrologia e clima não serão afetados
    De acordo com o gerente de hidrologia da CPRM, o hidrólogo Marco Oliveira, não existe indícios históricos de que a vazante registrada neste ano, possibilite um desequilíbrio hidrológico no setor fluvial da Amazônia no próximo ano.

    Oliveira informou que a maior seca, registrada em 1963, onde as águas dos rios ficaram na marca dos 13,64 metros, não influenciou na cheia do ano posterior. “Em nosso sistema, 1964 foi tido como um ano normal de cheia”, explica.

    A mesma situação aconteceu com a segunda maior seca, em 1906, com 14,20 m e a terceira em 1997, que registrou uma marca de 14,35m de altura nos rios. A vazante de 2005 foi a sétima maior dos últimos 100 anos, onde encerrou o período de seca com 14,75 metros em 27 de outubro.

    “Não temos motivos para acreditar em desequilíbrios hidrológicos no sistema fluvial da Amazônia no próximo ano com um suposto aumento descontrolado da marca dos rios”, declara.

    O hidrólogo ressaltou ainda que o curso dos rios vem subindo normalmente nos últimos 55 dias, com médias que chegavam a mais de nove centímetros por dia. “Atualmente (20/12/05) o rio aponta uma marca de 20,01m. Isso significa que ele já subiu cerca de 5,35 metros, normal nessa época do ano”, comentou.

    O setor climático da região amazônica também não sofrerá influências da última estiagem, como afirma o diretor do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet/Am), Flávio Natal. Segundo ele, as precipitações (chuvas) registradas nos últimos 40 dias em toda a região estão acontecendo dentro da média estimada pelo instituto.

    “Estamos registrando uma queda de pelo menos 90 milímetros por dia. Em alguns casos ultrapassam os 120 mm, mas é em fevereiro que o processo de precipitação começa a aumentar. Além do mais, não existem fatores científicos que comprovem que um verão muito forte possa interferir no curso normal do inverno amazônico”, declarou.

    Águas já estão navegáveis
    Os municípios que ficaram isolados pela seca, devido ao impossível acesso por meio de barcos, agora já podem ver chegar as embarcações em seus portos. Cidades como Manaquiri e Careiro da Várzea, no Amazonas, já estão com seu nível de água transitável.

    “Não agüentávamos mais tanto sofrimento: falta de comida, de água potável, além é claro do isolamento que não nos permitia sairmos da área”, informou o presidente da comunidade Santa Marta, localizada no Manaquiri.

    As doenças também foram incidentes no período que decorreu a vazante. “Quando as águas baixavam, se criavam vários buracos no que restava dos igarapés, que serviam de focos para mosquitos infecciosos como dengue e malária, mas agora já podemos ver nossos paranás enchendo. Isso é grandioso, para quem viveu profundamente a seca “, declarou o líder do distrito de Purari, no Careiro da Várzea.

    De acordo com comandantes dos barcos ancorados no porto de Manaus (Am), todos os rios da Amazônia já estão transitáveis desde o último dia 29 de novembro. “Rios como o Madeira, o Solimões e o Rio Negro não oferecem mais dificuldades de navegabilidade em nenhuma região”, afirmou Almir Silva, dono de embarcação.

  • Defendida valorização da floresta em pé

    Brasília (DF) – O anúncio da redução de 31% no índice de desmatamento da Amazônia, feito pela ministra Marina Silva, no último dia 5, soou como uma boa notícia, no entanto, pesquisadores da área continuam alertando o Governo Brasileiro para a necessidade de estabelecer políticas que garantam a valorização da floresta em pé.

    A área desmatada foi reduzida de 27.200km2 para 18.900km2. De acordo com informações prestadas pela Assessoria de Imprensa do Ministério do Meio Ambiente, é a primeira vez que o desmatamento cai, desde 1997. É a primeira vez também, em 17 anos de monitoramento, que o governo apresenta os dados sobre desmatamento no mesmo ano em que eles ocorrem. O Ministério do Meio Ambiente comparou dados de 11 meses, sendo agosto de 2003 a julho de 2004, com agosto de 2004 a julho deste ano.

    Os dados do MMA, que têm como base levantamentos de satélite feitos pelo

    Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apontam que houve uma queda

    acentuada em todos os estados, com redução expressiva do desmatamento nas

    áreas próximas à rodovia Cuiabá-Santarém (BR-163), onde houve maior

    intervenção do Governo Federal por meio das fiscalizações do Plano de Ação

    para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia. Os números indicam

    leve crescimento do desmatamento apenas no sudeste do Pará e no sul do

    Amazonas.

    Controle e repressão
    De acordo com a ministra Marina Silva, a queda é consequência de

    iniciativas que combinam ações de comando e controle com grandes operações de

    repressão, como a Setembro Negro e Curupira, com outras de ordenamento

    fundiário e territorial e criação de áreas protegidas.

    O grande desafio agora, segundo a ministra, é combinar as ações de comando e controle com as ações de desenvolvimento sustentável. ”Para isso é fundamental a aprovação do Projeto de Lei de Gestão de Florestas Públicas, que tramita há nove meses no Congresso Nacional”, disse.

    O PL irá possibilitar, por exemplo, a implantação de Distritos

    Florestais, áreas onde será estimulado o uso sustentável de produtos e

    serviços da floresta. O primeiro a ser implantado será o da BR-163, com 16

    milhões de hectares, sendo 5 milhões de hectares de área de manejo e expectativa de produção de 4,1 a 6,7 milhões de m3 de toras e geração de 100

    mil empregos diretos.

    Motivo de comemoração
    De acordo com o vice-presidente de Ciência da Conservação Internacional (CI-Brasil), José Maria Cardoso da Silva, a estimativa oficial traz uma boa notícia, no entanto, a velocidade com que a floresta vem sendo destruída ainda continua assustadora e não deve ser vista como motivo de comemoração. Segundo ele, há urgência de ações e políticas que garantam a floresta em pé. “É preciso estabelecer metas claras de quanto dos nossos extraordinários recursos biológicos na Amazônia permitiremos ser perdidos para sempre, pois sem ter metas quantitativas é impossível avaliar o sucesso ou o fracasso das políticas governamentais para a região”, afirma.

    A proposta de desmatamento zero e de uso inteligente das áreas já degradadas da floresta é defendida no artigo “Estratégias para evitar a perda de biodiversidade na Amazônia”, publicado recentemente por Silva, Ima Vieira, diretora do Museu Paraense Emílio Goeldi, e Peter Toledo, diretor da Rede Geoma. Os pesquisadores defendem que o total de área já desmatada na Amazônia Legal, cerca de 619 mil quilômetros quadrados, seria mais do que suficiente para que a região possa gerar a riqueza necessária para o bem-estar da população local e o desenvolvimento do país.