Categoria: -Desmatamento-

  • Rondônia possui 42 Unidades de Conservação

    Porto Velho/RO – Para reparar o impacto ambiental causado com o desenvolvimento do Estado de Rondônia, foi proposto pelo Banco Mundial, um projeto chamado Plano Agro Florestal de Rondônia (Planaforo), que previa, além de recursos para infra-estrutura, a determinação para que o Estado mantivesse várias unidades de conservação. Com isso em 1995 foram criadas 42 Unidades de Conservação, 12 de proteção integral e 37 utilizadas para uso sustentável.

    De acordo com o chefe do grupo de Unidade de Conservação da Secretaria de Desenvolvimento Ambiental (Sedam), Nilo Magalhães, entende-se por áreas que possuem proteção integral, as Reservas Biológicas e os Parques. As reservas biológicas são de uso restrito à pesquisas, já nos parques são permitidas visitações públicas. Ambos foram criados com o objetivo de manter a manutenção das diversidades biológicas.

    Já as florestas são mantidas para que se tenha recurso florestal para utilização em manejo. Além disso podem ser licitadas para que empresas utilizem desse recurso, como acontece na Floresta Estadual de Rio Vermelho B, na região de Porto Velho, localizada à margem esquerda do rio Madeira.

    As áreas protegidas para Uso Sustentável são as Reservas Extrativistas e as Florestas Estaduais, utilizadas para fazer o manejo florestal e corte de madeira de forma seletiva.

    Preservação

    Como a área monitorada é extensa, para manter a biodiversidade, órgãos ambientalistas atuam na criação e na demarcação de limites, através de fiscalização e punição aos infratores.

    Na região de Porto Velho, o Parque Ecológico é monitorado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Os técnicos trabalham para evitar a invasão da área e para manter o ambiente adequado para a fauna e flora existentes no local. “Nossa maior preocupação é com a instalação de empreendimentos próximos e mesmo o loteamento da área, que poderiam pôr em risco a biodiversidade”, explica o secretário municipal de Meio Ambiente Wilson Correa da Silva.

    As áreas estaduais e federais contam com o apoio de equipes da polícia ambiental para monitoração das unidades. “Todas as áreas, especialmente as reservas extrativistas são vigiadas freqüentemente”, explica Nilo Magalhães.

    Segundo a superintendente substituta do Ibama, Nanci Maria Rodrigues da Silva, aproximadamente mil homens trabalham em conjunto para manutenção e equilíbrio da biodiversidade do Estado. “As regiões nunca ficam sem fiscalização”, garante.

  • Rondônia registra queda em focos de calor

    Porto Velho/RO – No mês de julho foram detectadas 504 ocorrências de focos de calor em Rondônia, sendo 106 em áreas de Unidade de Conservação. Somente na Floresta Nacional do Bom Futuro foram registrados 43 focos, ou seja, 40% da incidência.

    Os focos foram detectados pelo satélite NOAA-12. Comparando a este mesmo período no ano passado, houve uma redução de 15%, mesmo assim, em se tratando de Unidades de Conservação, o índice é citado como preocupante, por técnicos do Ibama e do Sipam, órgãos que realizam o monitoramento e a fiscalização nas áreas.

    De acordo com a coordenadora da Divisão de Análise Ambiental do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), Ana Cristina Strava Correa, os focos podem estar relacionados com a manutenção das rotinas de queimadas associadas às atividades agro-pastoris ou desmatamentos. “Preocupa porque denuncia que as Unidades estão ficando expostas a ação de produtores de áreas privadas das proximidades”, cita Ana Strava.

    Ela também informou que a área mais atingida em Bom Futuro está localizada na zona de fronteira, a sudoeste da Flona.

    Segundo o analista ambiental do Ibama, Christian Zago Cassal, a quantidade de focos em Unidades de Conservação está se repetindo a cada ano e acontece porque há cerca de 10 mil invasores morando na unidade, principalmente no município de Buritis. “Não existe liberação para queima controlada naquela região, porém os invasores realizam queimadas para renovação de pastagem ou limpeza da área, sem saber que podem causar um incêndio na floresta e até atingir a cidade”, alerta.

    Temperatura

    O foco de calor não significa a existência de uma queimada ou incêndio, mas qualquer aumento de temperatura captado pelo satélite, com exceção às fogueiras de fundo de quintal, que não influenciam no monitoramento. “É o aumento da temperatura captado pelo satélite que tem um sensor de temperatura. Nem sempre esse aumento está relacionado com queimada ou incêndio. Até o calor atingido por um pedaço de rocha pode ser detectado pelo satélite”, explica Ana Cristina Strava Correa.

    Recorde

    O mês de setembro, considerado o mais crítico pelos meteorologistas em relação a queimadas, registrou 8.779 focos em 2005.

  • Sete madeireiras são fechadas em Nova Mamoré

    Nova Mamoré/RO – Uma operação denominada “Rondônia Legal” culminou com a apreensão de 60 toneladas de equipamentos, avaliados em mais de R$ 1milhão. O material pertencia a cinco madeireiras completas e duas pequenas, também chamadas ‘pica-pau’. As empresas funcionavam de maneira ilegal na BR-421, nas proximidades da reserva Pacaás-Novos e distrito de Jacinópolis, no município de Nova Mamoré, a cerca de 350 quilômetros de Porto Velho.

    A quantidade de madeira apreendida na operação também é assustadora: 2.800 metros cúbicos – equivalente a 150 caminhões carregados com o produto – A madeira continua no local de apreensão e possui destino incerto: pode ser leiloada ou doada à entidades sem fins lucrativos, segundo o Ibama.

    Quanto aos equipamentos, somente na segunda-feira, sete caminhões descarregaram peças como máquinas de solda, compressores, bombas e grupos geradores (usados para o corte ilegal de madeiras) no 5º BEC, Batalhão de Engenharia e Construção. Na manhã de terça-feira foram descarregados mais dois geradores no 5º BEC, que atua como fiel depositário e onde os equipamentos ficarão até que o destino seja decidido pela Justiça Federal. A operação teve início no dia 17 e a previsão é de que seja encerrada nesta quinta-feira, (27).

    A operação atende uma liminar da 2ª Vara de Justiça Federal, que diz respeito a crimes ambientais e de acordo com a superintendente substituta do Ibama, Nanci Maria Silva, a determinação é que o instituto retire todos os instrumentos causadores de danos ambientais existentes na área. Entre o material apreendido existem drogas e veículos roubados, além de madeiras em tora e serradas, encontradas nos pátios das madeireiras.

    Segundo o chefe do Núcleo de Operações Especiais da PRF, inspetor Régis, a ação é voltada para o combate de todos os tipos de criminalidade na região, inclusive apropriação indevida de terras da União.

    Mais de cem pessoas trabalham na operação coordenada pelo Gabinete de Gestão Integrada (GGI), que inclui órgãos estaduais e federais, como Polícias Rodoviária Federal, Federal, Militar, Militar Ambiental e Civil, Ibama, Incra, Exército, Secretaria de Desenvolvimento Ambiental, Funai e Sistema de Proteção Ambiental da Amazônia.

    Fonte:Amazoniaavista.com

  • Sueco compra parte da selva Amazônica

    Brasília/DF – A Comissão da Amazônia aprovou, no último dia 3, requerimento solicitando que os ministros do Meio Ambiente, da Defesa, do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República e o Presidente do Incra se pronunciem sobre a compra de 161.874 hectares de terras pelo sueco Johan Eliash, às margens do rio Madeira, no estado do Amazonas.

    O sueco comprou os 161.874 hectares à título de Projeto de Manejo de Florestas, pagando U$ 8 milhões. O comprador já ganhou até certificado de preservação do Incra.

    A deputada federal Maria Helena (PSB/RR) defendeu a aprovação do requerimento, argumentando que não é plausível que o país imponha restrições para a compra de terras na Amazônia aos brasileiros e, paralelamente, libere a venda de maneira indiscriminada aos estrangeiros.

    “Enquanto os brasileiros são impedidos de comprar mais do que 2.500 hectares de terras na Amazônia sem autorização do Congresso Nacional, os estrangeiros estão livres para fazer o que bem entendem em nosso território. O sueco Johan Eliash, por exemplo, adquiriu essas terras para transformá-las em reservas ambientais com a finalidade de captar dinheiro do Fundo de Seqüestro de Carbono criado pelo Protocolo de Kyoto, quando, na verdade sabemos que esses recursos devem ser utilizados especificamente para fins de reflorestamento”, criticou a deputada.

    Funai é questionada

    Maria Helena questionou ainda a posição da Fundação Nacional do Índio (Funai) com relação a essa situação. Segundo ela, certamente existem etnias indígenas habitando a área em questão, no entanto, o órgão não se manifestou em momento algum sobre essa questão. “Os produtores roraimenses que habitam a reserva Raposa/Serra do Sol há décadas são considerados invasores pelo Governo Federal, no entanto, um estrangeiro recebe privilégios que não são concedidos aos cidadãos brasileiros. Queremos entender, afinal, qual é o critério utilizado pela Funai para definir quem tem direito sobre essas áreas”, disse.

    Audiência pública

    A Comissão da Amazônia Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional, mandou convidar para serem ouvidos em audiência pública, os ministros de Estado do Meio Ambiente, da Defesa e do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, para que se pronunciem sobre a compra dos mais de 161 mil hectares de terras pelo sueco Johan Eliash.

    Sueco oferece U$ 18 bilhões

    O sueco Johan Eliash, que é presidente da empresa de material esportivo Head, propôs no último dia 6, a compra da Amazônia por US$ 18 bilhões. A oferta foi anunciada durante a reunião de empresários em Londres e a justificativa do sueco seria para preservar a floresta amazônica.

    O sueco disse querer manter intacta a floresta para aplacar as mudanças climáticas que seriam responsáveis por tragédias como o furacão Katrina e o Tsunami de 2004. “A redução do número de catástrofes reduziria os gastos das seguradoras, que em 2005 atingiu US$ 83 bilhões, o maior da história do planeta”, alegou o empresário.

    Eliash lembrou que é dono de 160 mil hectares de floresta em Manicoré e Itacoatiara, no Estado do Amazonas, o que causou irritação na Comissão da Amazônia, no Congresso Nacional. A proposta, segundo agências de notícias, não teria sido recebida com entusiasmo por muitos empresários que estavam presentes ao debate organizado pela seguradora Lloyd´s. Eles não acreditam na relação direta entre a preservação da Amazônia e as tragédias.

    Fonte: Das agências/ Diário da Amazônia

  • Autoridades orientam sobre queima em pastagem

    Porto Velho/RO – O alto índice de queimadas e até incêndios registrados em 2005 faz com que autoridades ligadas ao meio ambiente tomem algumas medidas preventivas no sentido de orientar os agricultores sobre a forma mais sensata de atear fogo em pastagens e capoeiras. Entre as medidas estão o oferecimento de cursos e a criação de um calendário de queimadas.

    Apesar de ser uma prática comum, as queimadas são apontadas como a última alternativa por autoridades que trabalham em defesa do ecossistema. Segundo o secretário adjunto da Secretaria de Desenvolvimento Ambiental (Sedam), Erimar Moreira, o fogo deve ser evitado ao máximo, por produtores, pois a cultura secular não é a forma mais adequada de preparar o solo para o plantio. “Na Amazônia Brasileira é tradição realizar queimadas em pastos e capoeiras. Já é uma cultura que está enraizada porque é uma atividade que apresenta resultado rápido e mais barato do que a limpeza” frisa.

    É no período entre julho e novembro que as queimadas acontecem com mais intensidade na região norte. De acordo com Erimar Moreira, este ano já foram registrados alguns focos de calor ao longo de estradas, em áreas rurais de Rondônia. “Nossa preocupação é com a grande concentração de fumaça, pois favorecem o surgimento de doenças respiratórias, principalmente em crianças, além disso, com a fumaça suspensa aumenta o perigo de acidentes rodoviários, aéreos e de navegação fluvial. Na pastagem, dependendo da situação, não possibilita que os animais fujam”, alerta.

    Dicas sobre queimadas

    – Evitar as queimadas de todas as formas. Se não for possível, tomar os cuidados necessários para que o fogo não se torne um incêndio, fazendo aceiros (divisões na área a ser incendiada).

    – Ter autorização de um órgão ambiental competente antes de fazer a queimada.

    – Avisar os vizinhos que vai queimar.

    – Não queimar nas horas mais quentes, para evitar o risco de expansão do fogo.

    – Observar a posição do vento

    – Mobilizar pessoal para que fique atento, caso haja necessidade.

    – Cumprir o calendário de queimadas.

    – Não circular o fogo e deixar área de fuga, para que os animais tenham para onde escapar.

    Verdades e mentiras sobre queimadas:

    Mentira – A queimada deixa o solo mais forte

    Verdade – A queimada prejudica a fertilidade e reduz a compactação do solo, aumentando a exposição eólica, ou seja, a terra fica exposta até a radiação solar.

    Verdade – Reduz o tempo de vida e o teor de proteína da pastagem.

    Fonte:Amazoniaavista

  • PF prende envolvidos em protesto contra apreensão de madeira

    Espigão do Oeste/RO – A Polícia Federal reagiu ao protesto ocorrido no dia 17 do mês passado, onde cerca de 2 mil pessoas renderam agentes federais e tomaram dois caminhões de madeira apreendidos em Espigão do Oeste. Na manhã desta segunda-feira, dia 12, uma mega operação, envolvendo 92 homens, entre policiais, escrivãos e delegados, realizou busca e apreensão em 19 residências de suspeitos de liderar o movimento.

    A operação começou por volta das 4 horas da madrugada. Onze pessoas foram detidas, entre elas o presidente da Câmara de Vereadores, Joaldir Schultz, o Zonga e um assessor da prefeita de Espigão do Oeste, conhecido por Ninho. Os outros acusados são: Gildeon Barbosa Silva, Gean Cleison Fornasieri, Alberto Nicolau Storch, Elias Rodrigo da Silva – Arara, Edmilson José de Oliveira – Juruna, Fernando Ivo Ribeiro – Fernandão, Alexsander Batista Stringueto, Irlan Nascimento Ribeiro e Eloir Sérgio Corradi Regly.

    Segundo o delegado Rodrigo Carvalho, que comandou a operação, no dia da manifestação a apreensão da madeira foi realizada por apenas uma equipe. Os motoristas foram abordados em uma estrada da zona rural de Espigão do Oeste e não tinham a documentação da madeira. Em seguida os agentes conduziram a carga para o quartel da Polícia Militar, palco do protesto. “Não havia meia dúzia de policiais federais. Eles foram cercados por 2 mil pessoas, que atiraram pedras, foguetes, bombas improvisadas e conseguiram tomar os dois caminhões,” disse o delegado. Os veículos tiveram os pneus furados pelos manifestantes que ainda jogaram toda a madeira em frente ao quartel, destruindo parte do muro.

    Manifestação
    O comandante da Polícia Militar em Espigão do Oeste disse que a situação só foi controlada depois de quatro horas de manifestação, com a chegada de reforço policial de cidades vizinhas. Segundo ele, até a rede de energia elétrica foi alvo do protesto, o que fez com que a cidade ficasse sem energia por mais de três horas. “Foi um momento de muita tensão. A informação que temos é de que foi atirada até madeira na rede de energia elétrica na entrada da cidade,” relatou Aparecido Firmino, comandante da PM, em Espigão.

    Os acusados foram levados para prestar depoimento na base da Polícia Federal de Ji-Paraná. Depois seriam encaminhados para o presídio da mesma cidade. Segundo o delegado, eles vão ser indiciados por 12 crimes, entre eles desacato a autoridade, formação de quadrilha, lesão corporal e destruição do patrimônio público. Segundo o delegado, há mandado de prisão preventiva para mais oito pessoas, que já foram intimadas.

    Fonte:Amazoniaavista

  • Robôs vão defender a Amazônia

    O projeto ainda não está sendo divulgado pela empresa responsável, a Petrobras, mas existe a possibilidade de que nos próximos anos, ribeirinhos da região dividam o espaço nos rios e florestas com outros seres, ainda considerados estranhos, feitos de acrílico e com braços mecânicos. É o Robô Ambiental Híbrido, que está sendo criado com a finalidade de defender a Amazônia. O projeto, que é de um grupo de cientistas e técnicos, já foi divulgado pela revista Momento Brasil.

    A meta do “Robocop da Amazônia” é melhorar as condições de monitoramento da Petrobras sobre a região para prevenir e impedir desastres ambientais, caso ocorra algum acidente na produção ou transporte de combustível. A empresa enfrenta desafios cada vez maiores na Amazônia desde pelo menos 1988, quando começou a atuar na bacia do rio Solimões, onde se localiza a província mineral de Urucu, 650 quilômetros a sudoeste de Manaus.

    O projeto também poderá beneficiar projetos de aproveitamento de recursos energéticos, como o Urucu-Porto Velho, cujas obras foram liberadas. A intenção é fazer o transporte da matéria-prima da floresta para as áreas de processamento.

    A idéia da criação do robô evoluiu a partir do projeto Cognatos, de José Vagner Garcia, evoluindo para um plano de construção de dezenas de robôs, provavelmente de três modelos distintos, para não apenas vigiar áreas específicas da Amazônia como também para a realização de estudos de experiências inovadoras em computação, sensoriamento remoto, bioquímica e biotecnologia.

    Amazonbots

    A Petrobras trata o assunto como segredo industrial, mas os primeiros protótipos desse AmazonBot indicam um equipamento com cerca de 2,5 metros de comprimento, 300 quilos de peso e fundo transparente. Ele é chamado híbrido porque poderá carregar um piloto, ou ser monitorado à distância.

    O que existe de concreto até agora projetado pela Petrobras é a existência de equipamentos encarregados de detectar anomalias ambientais, especialmente as provocadas por vazamentos de gás ou óleo em qualquer quantidade, além de promover pesquisas científicas de vários tipos. Para isso, a empresa conta com laboratório de robótica em seu centro de pesquisas, projetando cada vez mais equipamentos com maior capacidade ainda em percorrer a floresta e os rios de forma independente da presença humana.

    A idéia é prevenir para depois não remediar, porém é difícil, admitem os especialistas, trabalhar na criação destes robôs com quesitos de não poderem ser ruidosos; sem risco de poluição; ter comunicação com perfeição com os comandos da Amazônia e no Rio de Janeiro (Sede da Petrobras), através do satélite; possuir alta resistência; facilidade de manutenção e capacidade de manobra para se locomover na água e na lama, inclusive em condições impossíveis para qualquer ser humano.

    Fonte: Jornal Diário da Amazônia/; Jornal do Meio Ambiente/; Revista Momento Brasil.

  • Setor madeireiro faz acordo para desbloquear 364

    Ariquemes/RO – Em reunião nesta quarta-feira (15) entre a bancada parlamentar de Rondônia no Congresso e representantes do setor madeireiro do Estado, chegou-se a uma solução para o impasse criado com o bloqueio da BR 364, na altura do município de Ariquemes. Desde às 12h de segunda-feira, a estrada estava obstruída pelos extratores de tora e madeireiros da região.

    “Estamos construindo saídas para valorizar o trabalho de quem está legalizado e para punir com firmeza quem não está, dentro do princípio de que é preciso combater o desmatamento”, disse o secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente, Claudio Langone, que presidiu a reunião.

    O acordo foi firmado entre integrantes da Associação dos Extratores de Tora e Indústria Madereira (Atimer) de Rondônia, diretores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama), membros da bancada, e o governo federal.

    Decidiu-se na reunião que o Ibama vai disponibilizar um cadastro técnico federal para viabilizar o registro dos extratores de tora e que a Atimer entregará ao órgão federal uma lista dos projetos de manejo que ainda não foram vistoriados na região. Esse procedimento é fundamental para a aprovação das projetos. Com essa lista, o Ibama vai programar, em no máximo 48h, as vistorias pendentes.

    Combate a ilegalidade

    A associação ainda se comprometeu em cooperar com o Ibama para combater a ilegalidade no comércio de madeira na região. O ministério, o Ibama, a bancada e a Atimer deverão acompanhar a votação do Zoneamento Ecológico Econômico do Estado de Rondônia na reunião do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), prevista para acontecer nos dias 21 e 22 de fevereiro.

    A entidade, bem como os integrantes da bancada, comprometeram-se em trabalhar para que possa ser efetivado o processo de descentralização da gestão florestal. “A exemplo do que aconteceu no Pará e no Mato Grosso, queremos criar uma agenda comum com o governo do estado, por meio de uma acordo de cooperação”, comentou Langone.

    O Ibama ainda se comprometeu em disponibilizar, em março, as regras para o plano de manejo de baixa intensidade, que se aplica principalmente nas pequenas e médias propriedade. A regulamentação dessas regras está em consulta pública e a Atimer deverá apresentar suas sugestões até o dia 24.

    O órgão federal também vai discutir formas de melhorar a relação entre o detentor do plano de manejo ou de autorização para desmatamento legal, os extratores de toras e a indústria madeireira de Rondônia. A Atimer, em contrapartida, deverá apresentar alternativas para compatibilizar a demanda da indústria madeireira e a oferta potencial do estado. Hoje, a demanda é muito superior ao que o Estado pode oferecer.

  • Queda no desmatamento ligada a valorização econômica

    Manaus/AM – Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) confirmaram uma redução de 67,58% no desmatamento do Amazonas. Esses índices são resultados do comparativo entre 2004 e 2005. Na área mais crítica do desmatamento, que compreende os 12 municípios do sul do Estado, o Inpe também registrou uma redução de 31%.

    Em coletiva de imprensa realizada na Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS), o Secretário Virgílio Viana, junto com o diretor executivo do Instituto Nacional de Recursos Renováveis e Meio Ambiente (Ibama), Henrique Pereira, apresentaram os motivos desses resultados positivos.

    De acordo com o secretário da SDS, esses dados são resultados da dupla valorização econômica dos produtos florestais e coerção dos crimes ambientais. “Este resultado é fruto de nossas ações positivas de apoio ao manejo florestal, licenciamento ambiental e eliminação de ICMS para produtos florestais não madeireiros”, explicou Viana.

    O diretor executivo do Ibama ressalta que esses índices foram conseguidos mesmo com toda ação contrária dos grileiros e exploradores ilegais. “Infelizmente, cerca de 90% desse desmatamento acumulado foi provocado pelo desmatamento não-autorizado. Embora tenhamos dobrado o número de autorizações, ainda há muito desmatamento ilegal.”

    Além disso, o aumento dos focos de calor e a maior estiagem dos últimos anos, que contribuem diretamente com o aumento do desmatamento, não surtiram os efeitos negativos esperados. “No ano passado foram registrados mil focos de calor no estado. Este ano, esse número subiu para quatro mil focos e ainda tivemos a estiagem”, fala Adilson Cordeiro chefe do departamento de fiscalização do Ibama.

    Para o prefeito de Lábrea, Jean Barros, as ações de incentivo ao manejo da floresta, principalmente, ligadas à produção de castanha têm permitido que o desmatamento não avance em algumas regiões do município. “Queremos que este trabalho do Zona Franca Verde se fortaleça cada vez mais e sabemos que são as práticas racionais com a natureza que tem ajudado nos avanços contra o desmatamento e esperamos que isso se amplie em 2006”, explicou.

    Ligação com a seca

    Para o professor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), o engenheiro florestal, Arnaldo Nogueira, a redução do desmatamento na Amazônia pode ter ligação com a estiagem registrada esse ano.

    “Teoricamente, esse ano deveria ter tido índices de aumento nas áreas florestais, porque com a prolongada vazante, os madeireiros teriam condições ambientais para atuar. Mas acredito que com o espaço dado a Amazônia por causa da vazante, tenham intimidado as ações dos madeireiros clandestinos”, afirmou.

    Madeira ilegal

    Estima-se que 70% da madeira extraída da Amazônia tenha origem criminosa. Ou seja, são exploradas, industrializadas e comercializadas por pessoas e empresas que desrespeitam as leis do país, disse o engenheiro florestal e campaigner do Greenpeace na Amazônia, Marcelo Marquesini.

    De acordo com ele, a clandestinidade de alguns madeireros muitas vezes ocorre devido a falta de políticas públicas dos governantes. “Não é o caso do Estado do Amazonas, porque vejo aqui grandes exemplos de trabalhos com manejos sustentáveis”, afirmou.

    Para o coordenador do programa Amazônia, da ONG ambiental WWF-Brasil, Luís Meneses, a diminuição da clandestinidade no uso ilegal dos recursos florestais só irá efetivamente acontecer quando houver uma melhoria nos problemas sociais dos moradores da floresta.

    “Sem dinheiro e com fome, todo ribeirinho é obrigado a utilizar indevidamente os recursos da floresta. Se houver melhoria nas condições de vida e social dessa classe, repercutirá no bem estar da floresta”, concluiu.

  • Madeireiros exploram reserva dos Suruís

    Cacoal/RO – Cerca de 200 caminhões carregados de madeira estariam saindo

    diariamente das aldeias da Reserva Indígena Suruí, localizada no município

    de Cacoal, em Rondônia. A denúncia, que corre de “boca em boca” na cidade, é

    confirmada pelos motoristas de caminhões boiadeiros, que transitam pelas

    mesmas estradas usadas pelos veículos das indústrias madeireiras. A

    exploração estaria sendo feita com a autorização dos índios, que se propõe a

    vender a madeira.

    Os motoristas dos caminhões boiadeiros contam que, apesar da exploração

    diminuir nesta época do ano, por causa do período chuvoso, ainda vêem

    constantemente caminhões carregados de madeira deixarem a reserva. Estariam

    sendo retirados da área todos os tipos de madeira, inclusive espécies

    nobres. “Tem madeireiro que entra até 60 quilômetros para dentro da reserva,

    porque na entrada não há mais o que explorar”, disse um motorista, que

    preferiu não se identificar.

    Há informações de que a exploração já dura 20 anos e que estaria ocorrendo

    inclusive com a conivência de funcionários do Instituto Brasileiro do Meio

    Ambiente (Ibama). Os servidores envolvidos também estariam lucrando

    financeiramente com a exploração ilegal.

    Denúncias são investigadas
    O administrador da Funai, em Cacoal, Orlando Castro Silveira, que assumiu o

    cargo há pouco mais de 30 dias, disse que todas as denúncias relacionadas a

    reserva estão sendo investigadas. Apesar de afirmar que a Funai necessita de

    mais recursos para fazer a fiscalização necessária, ele informou que deverá

    ser realizada uma operação na área, dentro dos próximos dias, com o apoio do

    Ibama, da Polícia Federal e da Polícia Ambiental.

    De acordo com o administrador, além de não dispor das condições de trabalho

    necessárias, a Funai enfrenta dificuldades no sentido de convencer o índio a

    não vender a madeira de suas terras. Os indígenas alegam que vendem a

    madeira porque precisam sobreviver e não recebem o apoio necessário do

    Governo Federal. “De qualquer forma não se pode justificar o que é ilegal,

    então temos que combater a exploração”, disse.

    Sem conhecimento
    A gerente substituta do Ibama, Nanci Maria Rodrigues da Silva, disse que não

    tem conhecimento de denúncias específicas de envolvimento de funcionários do

    instituto com a exploração da madeira da terra dos Suruís. Ela afirmou,

    porém, que tanto o Ibama quanto a Polícia Federal estão investigando muitas

    denúncias de participação de servidores em crimes ambientais.

    Segundo a gerente, para que a denúncia seja investigada, é preciso que seja

    registrada por carta ou telefone junto aos escritórios do Ibama ou pela

    chamada linha verde, no 0800 618080. É necessário, porém, conforme a

    gerente, que a denúncia ofereça fortes indicativos em relação ao denunciado,

    inclusive endereço de localização da pessoa acusada, datas e locais da

    prática do crime.