Autor: daniel

  • A importância estratégica da água no planeta

    A Organização das Nações Unidas – ONU, em estudo sobre a escassez da água no planeta, alerta sobre a importância dos cuidados sobre a água. Afirma que brevemente haverá guerras entre nações pela posse da água.

    Em diversos lugares do planeta, há sofrimentos de pessoas pela falta de água. Países como Egito, África do Sul, Síria, Jordânia, Israel, Líbano, Haiti, Turquia, Paquistão, Iraque e Índia, aonde os problemas com recursos hídricos já chegam a níveis críticos, muito se fala em falta de água e que, num futuro próximo, teremos uma guerra em busca de água potável, esse líquido precioso insubstituível, encontrado na natureza em estado sólido, gasoso e líquido. Distribuída sendo 97,50% nos oceanos (salgada), 1,979% sólida (geleiras), 0,514% águas subterrâneas e 0,006% em rios e lagos.

    O Brasil é um País privilegiado. Aqui está 11,6 % de toda a água doce do planeta. Aqui se encontra o maior rio do mundo, o Amazonas e o maior reservatório de água subterrânea do planeta, o aqüífero guarani. No entanto, essa água está mal distribuída. 70% das águas doces do Brasil estão na Amazônia, onde vivem apenas 7% da população e o 30% do restante para 93 % da população.

    A conscientização da população do planeta sobre a importância estratégica da água para a sobrevivência do ser humano é mínima. Grandes metrópoles jogam milhares de metros cúbicos dia de esgotos sem tratamento nos rios, deixando-os sem vida.

    Segundo a Organização das Nações Unidas – ONU, 50% da taxa de doenças e morte nos países em desenvolvimento ocorrem por falta de água ou pela contaminação. Portanto, o crescimento da população mundial e a crescente poluição, causada também pela industrialização, torna a água o recurso natural mais estratégico de qualquer país do mundo.

    Para cada mil litros de água utilizados, outros dez mil são poluídos, ficando cada vez mais difícil se conseguir água para todos, principalmente nos países em desenvolvimento.

    Dados do International Water Management Institute – IWMI mostram que, no ano de 2025, cerca de 30% da população mundial de diversos paises deverão viver em absoluta falta de água. A crescente necessidade de água, as limitações dos recursos hídricos, falta de políticas públicas, falta de conscientização da importância da água exigem dos formadores de opiniões em todos setores da sociedade, fazer uma grande cruzada junto às entidades governamentais, não governamentais, no âmbito municipal, estadual e nacional, divulgando e colaborando no desenvolvimento de políticas e responsabilidades públicas na efetivação de planejamentos estratégicos no melhor aproveitamento dos recursos hídricos no planeta, para a sobrevivência da espécie humana e animal.

    Nelson Rangel é professor universitário

    e-mail: nelsonrangel@nettravel.com.br

  • Economia verde – a bioeconomia

    A Amazônia tem o encanto e a frescura das telas acabadas de concluir. Conserva a tepidez do último dia da criação. E as impressões digitais do Supremo Criador. Ali, está dispersa por todos os cantos a grandiosidade. Nas águas, na terra e no céu. Não há maior esplendor crepuscular em nenhuma outra parte do mundo. Nem mais ofuscante meio-dia. Nem mais fascinante luar. Ali, o clarão da lua constitui uma alvorada azul, que é transformada em prata, ao toque mágico com a epiderme das águas e flui em torrentes argênteas ao longo das copas farfalhantes. Tudo tem grandeza excepcional. Até o próprio perigo.

    Em 1864, após uma grande seca no Ceará, uma grande leva de brasileiros que estavam passando necessidades naquele estado-irmão descobriram um grande filão – explorar o látex de uma árvore nativa da Amazônia (encontrada apenas nesta floresta tropical), foi utilizada como matéria-prima para confecção de pneus. Estávamos em plena revolução industrial, e na Europa a borracha fazia sucesso. Nossos conterrâneos cearenses fizeram a “América” explorando nossos seringais, enquanto os europeus tentavam em vão cultivar a árvore mágica da Amazônia no clima temperado. Após a primeira grande guerra, depois de várias tentativas, conseguiram domesticar a Hevea brasiliensis em clima tropical de suas colônias no oriente, mais precisamente no Ceilão.

    Em seguida os norte-americanos lograram êxito com a borracha sintética, o que determinou a queda de importância do precioso látex originário de nossas florestas tropicais. Com apenas um produto – a borracha, conseguimos durante algum tempo transformar Manaus e Belém em cidades importantes no roteiro econômico mundial. Neste período surgiram teatros nas duas cidades que faziam inveja em grandes metrópoles européias.

    É certo que vivemos um novo tempo. Passamos a era da Agricultura, deixamos para trás a era industrial, e ingressamos no século da biotecnologia. Que papel a Amazônia terá neste novo momento mundial? E nós, amazônidas, como nos comportaremos diante de uma riqueza ainda não mensurada?

    Segundo a Conservation International, dos 17 países mais ricos em biodiversidade do mundo (entre os quais figuram Estados Unidos, China, Índia, África do Sul, Indonésia, Malásia e Colômbia), o Brasil está em primeiro lugar disparado: detém 23% do total de espécies do planeta. Só para efeito de comparação, a Suíça tem apenas um planta “endêmica” (que só existe lá), a Alemanha, 19 e o México, 3.000. O Brasil tem 20.000, apenas na Amazônia. Apenas 5% da flora mundial foi estudada até hoje e só 1% é utilizada como matéria-prima. A biodiversidade brasileira, portanto, é o cofre de um patrimônio químico inexplorado de remédios, alimentos, fertilizantes, pesticidas, cosméticos, solventes, óleos e energias, além de moléculas, enzimas e genes em número quase infinito.

    A Floresta Amazônica abriga 5.000 espécies de árvores. A Floresta temperada da América do Norte só tem 650 espécies de árvores. A Amazônia pode ter até 300 tipos de árvores por hectare. Uma Floresta temperada não tem mais de 25 tipos de árvores por hectare. O Brasil é o país com a maior diversidade biológica. A Colômbia vem em segundo e a Indonésia em terceiro. Em território brasileiro da Amazônia Legal temos o Vale do Juruá, no Acre (considerada a primeira área em diversidade biológica do planeta), e Cacaulândia, em Rondônia (festejada juntamente com Pakitza e Tambopata, no Peru, como as vice-campeãs em biodiversidade).

    Pouco tem sido feito para que tomemos conhecimento de que somos detentores de um patrimônio natural equivalente a dois (2) trilhões de dólares. Em assim sendo, o Brasil pode se transformar na maior potência mundial da bioeconomia. Um mundo no qual o Brasil tem uma vantagem competitiva inigualável: a riqueza de sua biodiversidade. A variedade de espécies de plantas e animais existentes no ecossistema brasileiro contém um tesouro biológico de genes, moléculas e microorganismos sem paralelo no conjunto das nações do globo. A água, segundo estudiosos de cenários futuros, será o foco de grandes disputas internacionais. Neste quesito também somos abençoados pelo criador por termos a maior bacia fluvial do globo, com possibilidades reais de implantarmos projetos de grande porte de piscicultura em água doce, de fornecimento de água para regiões carentes desse produto.

    Hoje, tanto se fala em venda de crédito de carbono, em projetos que compensem o desgaste ambiental produzido pelo homem no século XX. Em projetos de reflorestamento, de redução de emissão de gases poluentes, em aproveitamento racional do lixo produzido, entre outros. São medidas mitigadoras importantes, necessárias e racionais que se harmonizam com o desenvolvimento sustentável, amparados no trinômio economia, meio ambiente e social. Diante de tantas oportunidades e ameaças os habitantes da Amazônia precisam entender melhor qual o seu papel, o que podem fazer pela sua terra, como podem sobreviver em meio a essa riqueza, de forma digna, permitindo a pesquisa da biodiversidade ainda existente, sem comprometer o futuro das gerações vindouras. Esta cultura precisa urgentemente ser implantada, permitindo alguma compensação aos que preservam a riqueza da Amazônia, que com certeza está sendo socializada com toda a humanidade.

    Edson Silva, Auditor para a implantação do processo de Qualidade Ambiental.

    ed-sonolisil@hotmail.com

  • O povo do vale

    ‘Vocês vão para aquele lado? Então façam o favor de parar numa casa azul, que fica na beira da estrada e avisar a dona da casa que o marido dela fez a cirurgia e passa bem’, diz Seu Bernardo, um dos entrevistados de nossa equipe, ao ser informado sobre nosso próximo destino. Em uma outra ocasião, ouvimos de um jovem: ‘Aquele senhor quer saber se vocês podem dar uma carona prá ele e a senhora dele até Costa Marques?’. Os pedidos de carona são ainda mais freqüentes nas margens do rio. Será que dá para vocês darem uma carona de barco para mim, até a próxima vila? – questiona outro morador. Este tipo de comportamento é comum no Vale do Guaporé, onde nós da equipe Amazônia a vista tivemos o prazer de permanecer durante uma semana.

    As belezas naturais do lugar são incontestáveis, mas o povo também é encantador. Uma gente simples, espontânea e sempre pronta para largar o que está fazendo para atender bem a quem vem de fora, mesmo que esses visitantes sejam curiosos como nós, que querem saber em pouco tempo, tudo sobre uma comunidade centenária como a de Santo Antônio, ou sobre um ambiente rico em biodiversidade como o Vale do Guaporé. Se a entrevista é feita por volta do horário do almoço, não há como deixar o local sem almoçar. Praticamente ao mesmo tempo em que se faz o convite, se joga o anzol no rio e em poucos minutos a refeição está garantida.

    Bem guiados tanto por água quanto por terra, conhecemos lugares e gente encantadores. Longe do toque do celular – já que ainda não há rede em Costa Marques – e da tensão de se produzir notícia com tempo marcado, curtimos um cenário repleto de matas nativas, águas calmas, pássaros e peixes de várias espécies. Os animais que se concentravam nos rios ou em suas margens fugiam da proximidade dos curiosos, enquanto os botos cor-de-rosa, em grupos, pareciam querer pousar para as câmeras. A sensação é indescritível.

    Trabalhar no Vale do Guaporé foi uma experiência única e inesquecível. Foi possível unir, sem grande esforço, o útil ao agradável e fazer um jornalismo significante e verdadeiro.

    Eli Batista é jornalista

    eli@amazoniaavista.com.br

  • Paradoxo

    Quem diria, hein! Em plena Amazônia eu procuro e não encontro ar puro. Como é possível tamanho contraste, nesta, que é considerada o pulmão do mundo e a maior floresta nativa do planeta? Pois é, tudo tem explicação. É preciso produzir riquezas, alguém precisa ganhar. É necessário reformar os pastos, produzir soja, madeira, equilibrar a balança comercial, etc,.. etc,.. etc,..! Convence? Não sei, mas todo ano é assim, quando chega agosto o ar fica carregado de impurezas e a nossa vida insuportável. Para todos os lados só se vê uma névoa de fumaça provocando inúmeras conseqüências à saúde humana e ao meio ambiente.

    Tudo por causa da atitude irracional do homem…espera aí…irracional… não! Pelo que se saiba todo organismo tem um papel social dentro de sua comunidade, aquilo que os biólogos chamam, cientificamente, de “nicho biótico”, ou seja, cada um dos seres, animais ou vegetais, têm uma função que contribui para a preservação de seu meio, seu habitat. Nesse caso, se os animais são irracionais, as causas da depredação ambiental são as atitudes “racionais” do homem, afinal, animais não derrubam e queimam árvores.

    De acordo com estudo baseado em dados da Agência Espacial Brasileira, que reúne imagens monitoradas por satélites e divulgado numa revista científica norte americana, entre 1995 e 2000, 1,9 milhão de hectares foi devastado, equivalendo a sete campos de futebol por minuto de mata virgem destruída. Outros dados divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Instituto Ambiental da Amazônia (Ipam), calculam em, no mínimo, U$$102 milhões o custo médio anual dos danos provocados pelo fogo na região Amazônica, incluindo a liberação de milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2). Só em Roraima, no ano de 1998, ocasião em que foi registrado o maior incêndio florestal da história do País, o Estado sozinho emitiu entre 36 e 472 milhões de toneladas de CO2.

    Você sabe quanto vale uma vaca? Acredito que sim. E quatro vacas, você sabe? Todo mundo sabe. E quem não sabe, se quiser, descobre rapidinho. É só perguntar no açougue mais próximo. É fácil levantar.

    Agora, responda-me, você sabe qual o espaço de pasto necessário para se criar uma vaca, ou melhor, quatro vacas? Provavelmente não saiba, mas se tiver interesse em saber, creio não ter dificuldade para levantar tal informação. É só perguntar a qualquer pecuarista que ele terá a resposta na ponta da língua, ou seja: 24 mil metros quadrados, ou, o equivalente a 2, 4 hectares, ou se preferir, 1 alqueire.

    Agora, responda-me, se puder, você sabe quantas vidas são extintas em idêntico espaço de floresta nativa para formar o pasto? Acredito que até o mais renomado doutor em ciências biológicas teria dificuldade para precisar, com exatidão, os bilhões de microorganismos, insetos, animais rasteiros, aves, outras espécies animais e vegetais extintos com o fogo de um suposto progresso que atende a interesses de uma elite minoritária.

    Imagine você amarrado ao topo de uma árvore, completamente despido e por baixo, inúmeros ramos secos entrelaçados como uma fogueira, pronta para assá-lo vivo a uma menor fagulha. Imagine sua angústia ao perceber as raízes já em chamas, atingindo pouco a pouco o tronco, as labaredas alimentadas pela casca ressecada da árvore, a cada instante tornando-se mais vivas e ganhando novas formas, formas aterrorizantes, semelhantes a dragões cuspindo fogo. Você olha para os lados e não vê a mínima chance de salvação. E o pior, vai sofrer muito antes de ser tostado, porque tem certeza de que o fim é inevitável e será cruel. E eu acredito! Você vai rever na mente toda sua vida em segundos, como uma fita de vídeo sendo rebubinada, desde de sua remota infância até o fatídico momento, e não vai encontrar um motivo, se quer, que o torne merecedor de tamanho suplício.

    É desta forma que morre o passarinho recém nascido e ainda depenado, sem poder voar, andar, totalmente impotente, sem a menor chance de defesa. É claro que não posso saber o que sente um pássaro em tal situação, mas sendo fácil imaginar um ser humano em posição idêntica, creio ser possível deduzir. O pássaro não tem memória para avaliar se merece ou não esse fim, mas o egoísmo materialista do homem não se importa e o condena a pena capital. Pense! Reflita! Porque se não, o animal extinto de amanhã, pode ser você.

    Messias Pereira é jornalista

    e-mail: rdrondonia@nettravel.com.br

  • Guaporé é o maior produtor de tartarugas

    Fernando Raeder é o responsável pelo projeto
    Fernando Raeder é o responsável pelo projeto

    A cada ano aumenta o número de nascimento de filhotes de quêlônios no Rio Guaporé, um dos maiores produtores destas espécies no Brasil. Em 2003 foi registrado o nascimento de 220 mil filhotes, enquanto que em 2004 este número subiu para 400 mil. O trabalho de fiscalização realizado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e por pessoas da comunidade, é apontado como o principal fator de contribuição para o aumento da quantidade dos animais.

    Os quelônios começaram a ser protegidos em 1976, por pessoas da própria comunidade, que se preocuparam com a rápida diminuição do número de animais. Cerca de 10 anos depois, o Ibama assumiu a coordenação do trabalho. No período de agosto a dezembro a equipe de fiscalização monta barracas nas praias onde há o maior número de desova, para proteger os animais adultos, seus ovos e seus filhotes. De acordo com o biólogo Fernando Raeder, responsável pelo projeto, as fêmeas começam a acampar na praia em agosto, para desovar no mês seguinte. Os filhotes começam a nascer somente em novembro. “Montamos as barracas na ilha, para não incomodá-las na praia”, explicou.

    A maior perseguição às tartarugas, segundo Fernando, ocorre na época do acampamento delas. As pessoas procuram os animais e os ovos, tanto para comer, quanto para comercializar. A multa para quem for pego com qualquer uma das espécies é de 500 reais por animal. Além de numerar os ninhos, a equipe de fiscalização conta os filhotes, para ter controle do número de nascimentos.

    Sobrevivência não chega a 50%
    Menos da metade dos filhotes dos quelônios consegue sobreviver. Além da depredação humana, existem os riscos provocados por animais maiores e por outros fatores naturais. O tempo que uma tartaruga leva para chegar a maturidade sexual também contribui para que a espécie continue em extinção. “Uma tartaruga leva no mínimo 10 anos para começar a reproduzir”, disse o biólogo.

    Se não houvesse depredação, segundo o biólogo, existiriam não só mais tartarugas, mas também animais maiores, já que um reptil nunca pára de crescer. Além disso, quanto mais velha, maior a tartaruga fica e quanto maior, mais ela bota. “Ela pode viver e reproduzir por mais de 100 anos”, afirmou.

  • Amazônia fora do crédito de carbono

    Philip Fearnside é PhD em ecologia
    Philip Fearnside é PhD em ecologia

    A Amazônia brasileira não será beneficiada pelo mercado de crédito de carbono definido no Protocolo de Quioto. Pelo menos não neste primeiro momento, já que ainda não são aceitos projetos para crédito baseado em desmatamento evitado, o que seria o grande trunfo em potencial da região na diminuição do efeito estufa. Apesar de ser, no atual estágio, insuficientes para conter o agravamento da temperatura global, os créditos de carbono são considerados de grande importância para o mundo. Os resultados da primeira fase servirão para ajudar a convencer os países a concordar em diminuir as emissões futuras de gás-carbônico. Acompanhe abaixo entrevista sobre o assunto com o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Philip Fearnside, PhD em ecologia.

    Amazônia a Vista – O que é crédito de carbono?

    Philip Fearnside – Crédito de carbono é a contabilidade de quantas toneladas de carbono (o elemento que, em forma de gás-carbônico provoca o efeito estufa) foram retiradas ou mantidas fora da atmosfera. Sendo que países industrializados que assumiram compromissos sob o Protocolo de Quioto precisam limitar as suas emissões de gases de efeito estufa, ou por medidas domésticas (muitas das quais seriam caras se implementadas em grande escala) ou por compra de créditos de carbono de outros países, por exemplo, por meio do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), criado pelo Protocolo de Quioto para possibilitar projetos em países como o Brasil. O crédito de carbono, portanto, vale dinheiro.

    Amazônia a Vista – Qual o estágio deste mercado no Brasil. Está em vigor desde quando?

    Philip Fearnside – O mercado de carbono está funcionando desde que o Protocolo de Quioto entrou em vigor, em fevereiro deste ano. A principal limitação para possíveis projetos na Amazônia brasileira é o fato que foi decidido em 2001 de que, para o primeiro “Período de Compromisso” (2008-2012), não seriam aceitos projetos para crédito baseado em desmatamento evitado, o que seria o grande trunfo em potencial da Amazônia na mitigação do efeito estufa. Existe uma proposta para contornar isto com uma abertura para permitir projetos iniciados agora de gerar crédito que seria válido no segundo período de compromisso (2013-2017). As negociações sobre o segundo período devem começar no final de novembro deste ano.

    Amazônia a Vista – Como é o funcionamento deste crédito? Qual o benefício para o setor público?

    Philip Fearnside – O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo já está funcionando. No Brasil, é o Ministério de Ciência e Tecnologia que é responsável pelo escritório nacional do MDL que aprova os projetos a serem entregues à sede internacional, que é subordinado a Convenção Quadro sobre Mudança do Clima, em Bonn, Alemanha. Por enquanto os projetos são para atividades como plantar árvores, capturar metano emitido por lixões e aumentar a eficiência do uso da energia (não para desmatamento evitado). Todos estas atividades são compatíveis com os objetivos do setor público, e obviamente ficam mais atraentes para o País quando custeados pelo dinheiro do carbono e não pelos contribuintes brasileiros.

    Amazônia a Vista – E para as empresas privadas. Quantas delas, ou de que setor já estão sendo beneficiadas?

    Philip Fearnside – Por enquanto está apenas iniciando. São empresas para reflorestamento (sobretudo para carvão vegetal para uso em siderurgia), empresas de energia e de aparelhos que usam energia, além de organizações não governamentais interessadas em recuperar a mata atlântica.

    Amazônia a Vista – Quais os países que já estão negociando o crédito com o Brasil?

    Philip Fearnside – Tem projetos em preparação pelo menos de grupos nos EUA e na França. Provavelmente existem outros também.

    Amazônia a Vista – Quanto o mercado de crédito de carbono deve movimentar, em média, por ano no Brasil?

    Philip Fearnside – Isto ainda é uma incógnita. O MDL em geral, ao nível internacional, tem tido um começo lento com a sede internacional, não conseguindo aprovar projetos num ritmo suficiente para atender a demanda para crédito de carbono entre os países europeus. O resultado é uma explosão do preço do crédito de carbono, que já é tão alto que o custo de comprar o crédito de carbono para compensar uma nova usina termelétrica movida a carvão é maior do que o custo do próprio carvão queimado pela usina. Talvez o MDL possa conseguir se agilizar mais no futuro, aumentando o volume de crédito disponível. Obviamente, o preço representa um equilíbrio entre a oferta e a demanda e a quantidade que o Brasil consegue abocanhar depende da capacidade de propor projetos elegíveis.

    Amazônia a Vista – O proprietário rural que manter suas matas, ao invés de fazer o desmatamento, poderá ser beneficiado com o crédito de carbono?

    Philip Fearnside – Futuramente se espera que isto aconteça. Por enquanto, não há como fazer isto por meio do Protocolo de Quioto. Deve-se lembrar que existem também outros mercados de carbono, para países que têm impostos nacionais sobre emissões, para empresas nestes países ou que querem diminuir emissões como medida de propaganda e relações públicas, e para estados e cidades individuais (inclusive nos EUA, país do próprio George Bush que recusou a ratificar o Protocolo de Quioto em 2001).

    Amazônia a Vista – Onde a Amazônia se encaixa neste processo. Quais as vantagens do crédito de carbono para a Amazônia Brasileira?

    Philip Fearnside – A Amazônia brasileira tem uma grande vantagem para futuros programas de diminuição de desmatamento porque existe muita perda de floresta (e emissão) aqui hoje, e porque a quantidade de floresta ainda em pé é grande e portanto, a quantidade de desmatamento evitado poderia ser grande também. Também é muito importante que o grosso do desmatamento na Amazônia é para pastagem, que traz pouco benefício econômico e não é necessário para alimentar a população humana da região. Em outros países tropicais, onde a população passaria fome se não fosse desmatar, a oportunidade para diminuir o desmatamento é muito menor.

    Amazônia a Vista – O meio ambiente e as camadas mais pobres da população serão beneficiados por esse mercado?

    Philip Fearnside – Sim, mas poderia ter sido muito melhor neste sentido. O nível de conhecimento e investimento necessário para conseguir aprovar um projeto de MDL é tanto que indivíduos pobres dificilmente vão conseguir fazer, embora cooperativas deles e ONGs ligadas a eles poderiam vencer estas barreiras. O tipo de projeto também não ficou tão direcionado aos pobres como poderia ter sido. O artigo 12 do Protocolo de Quioto, que criou o MDL em 1997, exige que todos os projetos estejam contribuindo ao “desenvolvimento sustentável”. Isto foi visto na época como uma oportunidade para exigir que os projetos conformassem a padrões uniformes internacionais no que se refere à definição de “desenvolvimento sustentável”, assim barrando projetos com impactos negativos sociais e ambientais. No entanto, nas negociações posteriores ficou decidido que a definição de “desenvolvimento sustentável” ficaria a cargo de cada país, assim efetivamente anulando esta exigência sobre o MDL. Já que cada país decide sobre desenvolvimento sustentável, qualquer projeto entregue pelo escritório nacional do MDL para aprovação da sede da Convenção automaticamente tem a homologação de representar “desenvolvimento sustentável”.

    Amazônia a Vista – O crédito não dará direito aos países desenvolvidos de continuar poluindo?

    Philip Fearnside – O crédito dá ao país comprador o direito de emitir a quantidade correspondente de carbono. No entanto, desde que a contabilidade de carbono seja baseada na realidade, a quantidade de emissão evitada pelo projeto que gerou o crédito vai ser pelo menos igual (e geralmente maior) que a quantidade que o crédito permite ser emitido. Assim, leva a um ganho para o meio ambiente e uma diminuição global da emissão de gases de efeito estufa.

    Amazônia a Vista – Quem é responsável pelo controle deste mercado?

    Philip Fearnside – O mercado é supervisionado pela Convenção Quadro sobre Mudanças do Clima, da Organização das Nações Unidas (UN-FCCC).

    Amazônia a Vista – Os créditos de carbono são mesmo eficazes na redução do efeito estufa?

    Philip Fearnside – Os créditos de carbono na atual fase do Protocolo de Quioto são completamente insuficientes para conter o agravamento do efeito estufa. No entanto, precisa começar fazendo alguma coisa para combater as mudanças catastróficas no clima global que já estão começando a ficar evidentes. As experiências ganhas nesta primeira fase vão ser muito importantes para ajudar a convencer os países a concordarem em diminuir as emissões futuras de uma maneira mais drástica, para ter um efeito substancial sobre a temperatura global. Portanto, os projetos que gerem crédito de carbono hoje têm uma importância muito além do benefício imediato em termos de mitigar o efeito estufa.

  • Índios são evangelizados

    Almir disse que a evangelização prejudica a cultura indígena
    Almir disse que a evangelização prejudica a cultura indígena

    No mínimo 50% dos índios de Rondônia pertencem a uma ou a outra congregação religiosa. Na Reserva Indígena Suruí, localizada a 500 quilômetros de Porto Velho, Capital do Estado, metade dos moradores já foi evangelizada por pastores brasileiros e estrangeiros. Um evangelizador americano já estaria inclusive traduzindo o novo testamento para a língua tupi-mondé.

    O assunto divide opinião nas aldeias. O cacique Mupirí Suruí disse que a evangelização existe desde a época em que os brancos começaram a manter contato com os índios, mas que tem aumentado muito nos últimos cinco anos. Ele informou que recentemente teve que permitir a construção de uma igreja na aldeia, para evitar desentendimentos entre os índios. A partir daí decidiu deixar que cada um decidisse por seguir ou não uma religião.

    O cacique Almir Suruí disse que a desvantagem da evangelização é o impacto causado na cultura indígena. Segundo ele, a influência da igreja fez com que ocorressem muitas mudanças na aldeia. Deixaram de ser realizadas várias manifestações culturais como danças, festas e casamentos tradicionais.

    A índia Diná Suruí é uma das que defendem a evangelização. Ela dá continuidade ao trabalho dos pastores, ensinando as crianças da aldeia. Na opinião de Diná, a religião não prejudica a cultura dos índios, mas sim orienta-os para que deixem de beber, de matar e de fazer outras coisas ruins. “A bíblia diz que só no caminho de Deus é que teremos a vida eterna”, disse.

    Índio vira pastor
    O evangelizador da Igreja Batista, Jadir Almeida, que atuou nas aldeias dos Suruís durante quatro anos, disse que o trabalho é realizado recomendando a preservação da cultura indígena. Jadir explicou que evangelizava com a ajuda de dois índios, que faziam a tradução dos textos bíblicos. Uma das aldeias chegou até mesmo a criar um coral.

    Jadir informou também, que há cinco anos, quando começou a atuar nas aldeias indígenas, um pastor americano já evangelizava os Suruís há cerca de 15. “Sempre recomendei a preservação da cultura. Explicava que a bíblia dizia que o homem devia ter apenas uma mulher, não matar e não beber, mas eu não pressionava, deixava que eles decidissem”, disse.

    Segundo Jadir, um jovem chamado Chico Epab Suruí teria ficado tão influenciado com a evangelização, que resolveu ser pastor e com a autorização da Fundação Nacional do Índio (Funai), frequentou o curso de Teologia, com o patrocínio da igreja. O jovem terminou a faculdade no final de 2004 e voltou para a sua aldeia, porém não conseguiu se readaptar.“A igreja ainda quer fazer uma proposta para o Chico Epab, para ver se ele vem morar na cidade e trabalhar a evangelização dos índios nas aldeias”, disse.

    Impacto na cultura
    A indigenista Maria do Carmo Barcelos, disse que começou a conviver com os Suruís em 1976, pouco tempo depois de serem contatados e que naquela época, os índios ainda preservavam seus costumes. Segundo ela, é desrespeitoso qualquer pessoa chegar e tentar impor uma religião, o que, em sua opinião, está acontecendo com os Suruís. “A vida dos índios é explicada através de mitos, com uma ligação muito forte com o espírito. Por isso é fácil chegar com uma mensagem espiritual e confundi-los”, disse.

    Segundo a indigenista, com a penetração da religião, os costumes indígenas vão ficando esquecidos. “O pajesismo, por exemplo, praticamente não existe mais nas aldeias”, disse.Um ponto positivo da religião, conforme a indigenista, é a contribuição para que os jovens se afastem das bebidas, porém, ela acredita que existam alternativas para desenvolver outro tipo de trabalho de conscientização. “A caracterização física e os rituais já estão se acabando e se as coisas continuarem assim, toda a cultura dos Suruís será extinta”, disse.

  • Indian was witness of the contact with the whites

    The official contact with the white people, happened in 1969, at that time when the construction of the highway 364 began, in Rondônia, it doesn’t bring good memories to the Suruís Indians. According to the cacique Itabira Suruí, until that date, his people lived without problems.

    According to Itabira, the people’s emersion working in the workmanship would have left the Indians afflicted. Certain that the movement would bring them problems; they began to cut the wire of the telegraphic line and to do everything that was possible to disturb the course of the works. “In that time the war began. A people killed the other. I lost my father and my mother in this fight” – the cacique remembered excited, that in that time he was 18 years old.

    Another very harmful factor, in the cacique’s opinion, were the diseases transmitted to the Indians by the white people. He explained that the Indians were weak to the diseases of the white people and consequently they were contaminated by evils as influenza and pneumonia and they ended up dying. ” Before the contact, the disease that we knew was the malaria and to that one we had medicines. The death was only caused by age”, he said.

    According to Itabira, in 1969 the Suruís population was about 5 thousand people. A measles epidemic appeared after the contact, it would have reduced it to 290. At that time, not even the employees of the National Foundation of the Indian (Funai) could arrive at the villages. ” They only got to know about the disease because one of Suruís told them”, he said.

    Before the contact, the Suruís survived of the hunt, of the fishing and of the corn, yam, potato, fruits and honey cultivation. Besides the feeding, the concern was just with the parties. Today, according to the cacique, they go by a lot of difficulties. The feeding was almost totally changed. Instead of fruits and other native victuals, they started to eat rice and bean. “To live in the city we needed to pay water and energy and with the agriculture we just earn money to get dressed. Therefore I find very difficult our life “, complained.

    The area of land of Suruís was demarcated in 1980. They are 247 thousand hectares. Nowadays Suruís add up about 1100 Indians. They are divided in four clans. Each one form an association that looks for means to survive.

  • Índios querem sustentabilidade

    O Clã Gamebey Suruí, da Aldeia Sete de Setembro, localizada a 50 quilômetros da cidade de Porto Velho, capital de Rondônia, está investindo no reflorestamento de árvores frutíferas. Serão plantadas 10 mil mudas de 12 espécies diferentes. O projeto terá início no mês de novembro deste ano.

    Conforme o coordenador do clã, Almir Suruí, os recursos para manter a primeira etapa do projeto, que engloba o plantio, a assistência técnica e a capacitação de índios, foi viabilizado por um grupo de suíço denominado Água Verde. Serão repassados aos índios, R$ 300 mil divididos em três parcelas anuais. “Plantaremos espécies como açaí, babaçu, pupunha e castanha”, disse Almir.

    O projeto de reflorestamento foi idealizado pelos próprios Suruís. Segundo Almir, o clã, que é formado por 288 índios, percebeu que a terra estava degradada e sentiu a necessidade de desenvolver projetos que pudessem garantir a sustentabilidade da aldeia. Entre as finalidades do trabalho está a de garantir o conhecimento dos índios junto ao meio ambiente, reconhecer a importância da biodiversidade da floresta, buscar o sustento dos índios e contribuir com o planeta para o bem de todos os povos.

    Almir ressaltou que o projeto será desenvolvido em longo prazo. Ele se referiu também à necessidade de buscar parcerias com o Governo Brasileiro e outras entidades para a manutenção do reflorestamento. “Além de estarmos buscando apoio para trabalhar a exploração legal e a certificação da qualidade dos nossos produtos, estamos criando uma logomarca para o nosso clã”, anunciou.

  • Vale do Apertado encanta visitantes

    As cachoeiras reforçam o potencial turístico da região
    As cachoeiras reforçam o potencial turístico da região

    O cenário do Vale do Apertado é capaz de encantar até mesmo ao mais exigente amante da natureza. O local é formado por um ambiente rústico, paisagem nativa, ecossistema

    frágil, flora e fauna ímpar. O acesso à área ocorre pela BR-364. Partindo-se de Pimenta Bueno serão percorridos 70 km em sentido Vilhena. A partir daí, no KM 132, segue-se mais 12 km, pelo lado esquerdo, numa estrada estadual de terra.

    O Vale do Apertado chama a atenção não só de técnicos ligados a área ambiental, mas também de pessoas de várias regiões do Estado de Rondônia. Mesmo cientes da falta de estrutura do local, os turistas não deixam de visitá-lo. Segundo o auditor ambiental Edson Silva, membro da Associação Pimentense dos Amigos do Meio Ambiente (APAMA), a

    área é especial e merece ser considerada de interesse turístico em virtude das

    paisagens notáveis e dos acidentes naturais adequados à prática

    desportiva -raffiting, cannying, boiacross, arborismo, rappel- nas águas e

    rochas. Ele acredita que as cavidades naturais subterrâneas existentes no Vale do Apertado podem também ser constituídas em patrimônio cultural brasileiro, devendo ser

    preservadas e conservadas para permitir estudos e pesquisas técnico-científica, voltadas para atividades étnico-cultural, recreativa e educativa.

    Segundo o auditor, as grutas ou cavernas da região foram formadas por processo natural, onde há inscrições rupestres -desenhos e escritas- que merecem ser estudadas para avaliar o período e a possível origem dos habitantes que viveram no local. Atualmente as grutas são habitadas por um indeterminado número de morcegos, havendo a crença de que no passado serviram de moradia para os primeiros habitantes da região. “O local se apresenta como área de potencial espeleológico devido à sua constituição geológica e geomorfológica, suscetíveis ao desenvolvimento de cavidades naturais subterrâneas, em decorrência da formação calcárea de suas rochas”, disse o auditor.

    Belezas serão preservadas
    Para que o cenário do Vale do Apertado possa ser dividido com os amantes da vida ao ar livre, segundo Edson Silva, torna-se necessário a elaboração de estudo de impacto ambiental para as ações ou empreendimentos de qualquer natureza, previstos em áreas de ocorrência de cavidades naturais subterrâneas ou de potencial espeleológico. “Ao lado de todo este potencial turístico, teremos um empreendimento de geração de energia – a PCH Rondon II- que irá preservar as belezas naturais do local”, disse o auditor. Ele lembrou também, que como compensação a empresa irá ainda oportunizar uma área de reserva ambiental no entorno do lago da usina geradora de energia elétrica, além de oferecer oportunidades de empregos aos moradores de Pimenta Bueno e região.

    O ambientalista Filinto Ribeiro, que também é membro da APAMA, disse que as belezas naturais do Vale do Apertado são únicas no Estado. Segundo ele, entre as principais atrações do local estão as cachoeiras, que chegam a 70 metros de altura. “Temos vários pontos turísticos na região de Pimenta Bueno”, disse.

    Quanto as metas da Prefeitura para o local, a secretária de Meio Ambiente e Turismo, Márcia Figueiredo, disse que o município passará a investir em infraestrutura após a conclusão da PCH Rondon II. “Pretendemos firmar parcerias com a empresa que está construindo a usina e outras entidades para explorar o potencial turístico do Vale do apertado”, disse.