Categoria: Animais

  • Curiós são os mais cobiçados por traficantes

    Porto Velho – Os curiós (Oryzoborus angolensis) representam a espécie mais cobiçada por criadores e pessoas que traficam animais da fauna rondoniense. Só no ano passado, dos 408 animais que deram entrada no viveiro do Ibama, após serem apreendidos em criadouros ilegais, 119 eram curiós, entretanto, segundo técnicos que atuam no Ibama, esse número não representa a quantidade desses pássaros que vivem enclausurados ou que são destinados ao tráfico nacional e internacional de animais.

    Somente nos três primeiros meses deste ano, o Ibama já apreendeu 83 animais, destes, 31 são curiós. “O número de animais em cativeiros deve ser muito maior, mas é preciso que seja feita a denúncia para que Ibama consiga chegar até eles”, alerta João Veríssimo de Souza, responsável pelo setor de Fauna do Ibama.

    Para tentar inibir este número, a superintendência do Ibama lançou recentemente no Estado, a campanha “Curió, denuncie quem prende ou vende”. Apesar de a campanha levar somente o nome do curió, é válida para todos os demais animais silvestres. “O curió foi escolhido por ser o animal mais contrabandeado em Rondônia”, explica Nanci Costa, superintendente substituta do Ibama. Ela alerta que todas as pessoas da sociedade são responsáveis pela fauna e também pela flora existente em nosso planeta. “Às vezes pode acontecer de se saber de alguém que cria ilegalmente e se fazer vista grossa. Isso não pode acontecer. É preciso denunciar”, lembra.

    A denúncia de criação ilegal e de tráfico de animais pode ser feita por telefone e o denunciante não precisa se identificar. Está à disposição da sociedade a linha verde, pelo número: 0800-61-80-80. A ligação é gratuita. O Ibama também disponibiliza a linha 3217-3598 para atender as denúncias.

    Multas e prisões

    No ano passado, as apreensões de animais silvestres encontrados em cativeiros de Rondônia resultaram em 15 autos de infração e R$ 22,5 mil em multas. Segundo a lei de Crimes Ambientais, “é crime matar, perseguir, caçar, apanhar espécies da fauna silvestre sem a devida autorização ou permissão do órgão competente”. Para quem infringir a orientação a lei prevê de seis meses a um ano de detenção e multa de R$ 500 por pássaro. O valor é acrescido de mais R$ 500 se o animal estiver em extinção.

    Clone

    A lei abre exceção para os casos em que os animais são tratados em criadores regulares. Em Porto Velho estão cadastrados dois mil criadores regulares de pássaros, que também são fiscalizados para evitar a propagação de criação ilegal, mas não faltam tentativas de burlarem a fiscalização. Até mesmo as anilhas estão sendo clonadas pelos criadores ilegais e pelos traficantes.

    A anilha é uma pulseira colocada no pássaro com um número de registro. Atualmente os criminosos estão copiando o número de uma anilha original e fabricando outra peça com a mesma numeração. Como os números são cadastrados, geralmente a fraude é descoberta, o animal é apreendido e o fraudador multado em R$ 500 por pássaro.

    De acordo com a Polícia Federal, entre as anilhas enviadas pelo IBAMA para perícia, há algumas clonadas por ourives dos Estados da Bahia e de Goiás. A Polícia Federal também atua no combate ao tráfico de animais silvestres e dá apoio ao IBAMA, quando este é solicitado.

    Contrabando

    O Brasil é uma das principais fontes do contrabando de fauna, com 15% a 20% do total mundial. Mais de 12 milhões de animais são tirados, a cada ano, do País, conforme dados apresentados durante a Conferência Sul-Americana sobre o comércio ilegal da Fauna Silvestre. Essa sangria agrava o risco de extinção que pesa sobre 208 espécies brasileiras, dentre elas, o curió.

    O mercado internacional é estimulado por pessoas que buscam exemplares raros. Para se ter idéia, um curió, com seu som de violino, pode ter custo igual ao de um automóvel zero quilômetro. A Conferência serviu para alertar que a reprodução de pássaros ornamentais e canoros já é uma realidade nos Estados Unidos e na Europa, inclusive, a partir de fêmeas adquiridas de contrabando.

    Canto

    O Curió é uma ave passeriforme da família Fringillidae, granívora, nativa do Brasil e desde muito tempo apreciada pelo seu canto. Mede cerca de 15 cm. O macho é preto na parte superior do corpo, castanho-avermelhado na parte inferior e branco na parte interna das asas. Ave em extinção na natureza e bastante comum entre os chamados “criadores amadoristas” devido ao intenso tráfico para utilização em torneios de canto, onde uma ave campeã pode valer um bom dinheiro.

    São submetidos a diversas formas de “condicionamento” para forçá-los a cantarem, como o confinamento em pequenas caixas para ficarem ouvindo gravações de cantos, exatamente como uma das técnicas de “lavagem cerebral” feita em humanos durante sessões de tortura. Deve-se notar que o tráfico e a receptação e manutenção de animais ilegais é crime no Brasil, assim como os maus tratos. Aqueles que vêem um crime ser cometido e se omitem também estão incentivando que mais animais se extinguam na natureza e fiquem na mão de torturadores, os quais se dizem “amadores”, mas objetivam mesmo é o lucro fácil que a venda de um único exemplar de canto bonito pode render.

  • Rondonienses embarcam no sonho do ouro

    Porto Velho/RO – A intervenção pela União, ocorrida no garimpo ilegal de ouro que já está sendo chamado de “Novo Eldorado da Amazônia”, não impede o deslocamento diário de milhares de trabalhadores de Rondônia, que saem em busca do ouro. O garimpo está localizado ao norte do município de Apuí, no Estado do Amazonas e nas proximidades de Jacarecanga, no Pará, a 70 quilômetros de Apuí.

    Somente no último final de semana, sete ônibus partiram lotados de Porto Velho em direção à mina. Com a descoberta do novo foco de ouro, a história volta a se repetir na região norte e o sonho pela riqueza fácil mais uma vez atrai homens de várias localidades, que sem se importar com as dificuldades deixam para trás a família, para certificarem-se de que a “fofoca” desta vez pode fazer mudar suas vidas.

    Em menos de dois meses, o número de garimpeiros que trabalham no local – cinco grotas abertas com cerca de 30 hectares – aumentou de 50 para cerca de 5 mil homens.

    Os ônibus continuam partindo de Porto Velho em direção ao garimpo, todas as segundas, quartas, sextas e sábados. De acordo com os motoristas, sempre lotados. As viagens são organizadas por uma agência de viagens e iniciam nas proximidades da rodoviária.

    O garimpeiro Elizeu Monteiro é mais uma das pessoas que viajou no sonho da riqueza rápida. Ele embarcou no ônibus que saiu dia 16, de Porto Velho às 23h. As despesas com a viagem ficaram em torno de R$ 200, fora o gasto com alimentação. As compras precisam ser levadas de casa, assim como uma barraca ou rede. “Só o que temos certeza quando saímos é que vamos nos abrigar dentro da mata, debaixo de uma lona”, diz.

    Fofoca

    Mesmo com as dificuldades, esses trabalhadores demonstram muita persistência. Elizeu já trabalha no ramo há 20 anos e nem pensa duas vezes em partir em direção a uma fofoca de ouro – termo utilizado para confirmar a existência de minério em uma determinada área. Ele mora no distrito de Triunfo (Candeias do Jamari) e viajou junto com outros três companheiros. Um deles, Manoel Theodoro de Souza, já garimpou no rio Madeira, na Venezuela e no Suriname. “Onde tem uma fofoca lá eu estou”, diz. “Puxei 900 gramas de uma vez na Serra Sem Calça (próximo ao município de Jaru) determinada vez”, orgulha-se.

    O motorista do ônibus que leva os trabalhadores ao garimpo, Cláudio da Silva Araújo, reveza o trabalho com outros colegas. Segundo ele, a viagem é longa e cansativa. O ônibus sai às 23h de Porto Velho e chega ao garimpo às 17h do dia seguinte. “Nada impede a ida deles ao local. Todos têm o mesmo sonho”, comenta. Segundo ele, a grama do ouro nas localidades próximas ao garimpo custa R$ 40,00.

    Promessa de ouro

    O garimpo é uma atividade em que os praticantes precisam de um aliado muito forte para trabalhar, a sorte. É por causa dela e da promessa de conseguir até 30 quilos de ouro em uma única rocha, que os garimpeiros estão se mobilizando atrás da fortuna. Até o presidente da cooperativa de garimpeiros (Minacoop), Washington Charles Cordeiro Campos, parte para o garimpo de Apuí essa semana.

    “Vou lá junto com o vice-presidente para organizar a atividade dos garimpeiros”, afirma. Agora é a hora de os governos aprovarem a exploração em benefício de milhares de trabalhadores que estão atuando no local. Querendo ou não, são empregos que estão sendo gerados e todos os que possuem familiares aqui virão gastar na Capital. Além disso, a maioria dos garimpeiros é de Rondônia”, defende.

    De acordo com Washington, a procura pelo garimpo está motivando trabalhadores que atuavam no rio Madeira e de outros pontos de extração do Estado. “Para se ter uma idéia, praticamente já não encontramos batéia (bacia que serve para lavar sedimentos de minerais preciosos), para comprar em Porto Velho”, disse.

    União dificulta ingresso

    Nem tudo pode ser sonho. Os trabalhadores que chegarem ao garimpo esta semana correm o risco de não poder explorar o minério, em virtude de um bloqueio de novas autorizações de estudos de viabilidade e de direito de exploração da reserva, emitido pela União, e que pode impedir a entrada de novos trabalhadores no garimpo.

    Dois requerimentos de direito de exploração, que estavam em andamento no Departamento Nacional de Pesquisa Mineral (DNPM), tiveram a tramitação suspensa com a intervenção. Um deles é do lavrador José Ferreira da Silva Filho, que se diz dono das terras onde foi descoberto o minério e que cobra até 10% de comissão da exploração aos garimpeiros.

    Segundo a engenheira Maria José Salum, diretora de Desenvolvimento Sustentável na Mineração do Ministério de Minas e Energia, a intenção do governo é regulamentar a reserva e firmar parceria com os próprios garimpeiros.

  • Animais peçonhentos se tornam ameaça

    Porto Velho/RO – São registrados por ano em Rondônia cerca de 600 acidentes envolvendo animais peçonhentos. O problema se agrava nesta época do ano, em virtude do período de chuvas. Estes animais só atacam quando se sentem ameaçados.

    As cobras Jararaca, Coral e Surucucu ‘bico de jaca’ representam 90% das ocorrências de acidentes com animais peçonhentos no Estado. O restante fica por conta das aranhas – 8%- e os escorpiões -2%- segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde.

    Segundo o biólogo Flávio Terrassine, a chuva não é o único motivo que faz com que os animais saiam da toca nos quatro meses de inverno. “Essa é a época de acasalamento. De cada 20 aranhas que chegam até nós, por exemplo, 18 são machos, todas em busca de fêmeas para o acasalamento”, explica. Escorpiões, abelhas e formigas, especialmente a amazônica ‘tuncandeira’ complementam a lista de peçonhentos.

    Flávio, que também é pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), diz que a maioria dos acidentes com animais peçonhentos poderia ser evitada, se as pessoas não invadissem o espaço desses bichos. “Só atacam quando se sentem ameaçados e os ataques geralmente acontecem no momento de se alimentar ou defender”, explica. Segundo ele, também há a falta de informação. “As pessoas não se vestem adequadamente para entrar no mato. É preciso calçar botas e vestir calças compridas”, orienta.

    A aranha ‘armadeira’ é a mais comum na região. Ela pode alcançar até 13 centímetros, bem menor que a temida caranguejeira, mas muito mais perigosa. “Como o nome já sugere, ela é agressiva, se arma para atacar”, ressalta Flávio. Elas habitam com maior freqüência bananeiras e terrenos baldios, o que eleva o risco de ataques, levando em conta o grande número de imóveis abandonados, ao longo dos municípios rondonienses.

    Veneno

    As serpentes Sucuri e Jibóia, de acordo com o biólogo Saymon de Albuquerque habitam a região de Porto Velho. O pesquisador desmente a antiga crendice de que em alguns meses elas ficam venenosas. “Nem uma nem outra é venenosa, em época alguma”, afirma. Condutas adotadas, especialmente por ribeirinhos, para curar a picada de cobras são reprovadas pelos pesquisadores. “Amarrar com tipóia, cortar a parte mordida, colocar urina, seja o que for, não resolve. Só mesmo o soro antiofídico para curar”, afirma o biólogo.

    Captura

    O Corpo de Bombeiros recomenda a população a não matar animais. Segundo informações da corporação, o procedimento correto é acionar os bombeiros que farão a captura dos bichos com os instrumentos adequados. Os serviços podem ser solicitados pelo telefone número 193. Os bombeiros soltam o animal em seu habitat natural e em área isolada da população.

  • Macacos e pássaros são apreendidos

    Porto Velho/RO – Cinco denúncias anônimas ajudaram o Ibama e a Polícia Ambiental a apreender, sexta-feira, 10 animais que viviam em cativeiro em Porto Velho. A maioria deles na região central da cidade.

    Um dos macacos apreendidos era usado como atrativo em um hotel.

    Alguns animais apresentavam indícios de maus-tratos. Um macaco tinha a região da cintura marcada pelas cordas que o prendia a uma árvore há mais de um ano, segundo os técnicos do Ibama. Os animais ficarão em observação durante 40 dias e provavelmente serão enviados para reservas de conservação localizadas fora do Estado, porque em Porto Velho não há nenhum local com condições adequadas para recebê-los.

    Foram apreendidos dois macacos da espécie Cairara (Cebus kaaporis), um macaco Aranha (Ateles geoffroyi), uma Curica (Caica caica) e seis pássaros Curiós (Oryzoborus angolensis), em diferentes bairros da cidade, sendo que um macaco era criado numa chácara na zona leste. Os ex-proprietários vão desembolsar uma multa de R$ 500 para cada animal apreendido, valor estipulado para bichos que não estão em extinção.

    Para os que estão ameaçados a multa varia de R$ 3 mil a R$ 5 mil. O proprietário dos curiós terá que pagar uma multa de R$ 3 mil.

    Segundo a veterinária do Ibama Cláudia Vilela, de imediato os animais vão passar por uma série de exames e receber medicamentos para vermes. “Alguns macacos apresentam problemas de pele, provavelmente causados por fungos e outros estão com cáries e até caspa”, diz.

    De acordo com a veterinária, o principal problema de manter animais em cativeiros domésticos são as doenças que eles podem transmitir. O macaco, por exemplo, é transmissor de raiva, herpes e hepatite. “Não somos bem recebidos pelos proprietários dos bichos, mas eles não entendem que estamos visando mais o bem-estar deles do que propriamente dos animais. Nenhum destes, por exemplo, possui característica de ser doméstico”, diz o cabo Carlos Gomes, da Polícia Ambiental, que trabalhou nas operações do Ibama.

    Denúncia

    A apreensão dos animais foi possível através de denúncias anônimas da população, através do Linha Verde do Ibama, mas a Polícia Ambiental também recebe ligações da população. Os telefones para que a comunidade possa denunciar a existência de animais silvestres em cativeiros domésticos são 0800-618080 ou 3230-1088, 3230-1777 e 3230-1274.

  • Pássaro da Amazônia vale mais de 120 mil dólares

    Galo-da-Serra
    Galo-da-Serra

    O Galo-da-Serra (Rupicola rupicola) e o Rouxinol do Rio Negro (Icterus chrysocephalus) são dois pássaros pouco conhecidos da maioria dos brasileiros, mas no Japão estas e outras espécies existentes na Amazônia são valiosas. Considerado a Monalisa do tráfico, o rouxinol contrabandeado dos seringais da Amazônia é vendido a US$ 120 mil (cerca de R$ 270 mil reais) no mercado internacional da biopirataria e do tráfico de animais.

    A revelação é do analista do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do Amazonas, José Leland Juvêncio Barroso, em depoimento à CPI da Biopirataraia. Além de pássaros, segundo Leland, os biopiratas têm levado da Amazônia essências de plantas, microorganismos, peixes ornamentais, solo e até amostras de água dos rios amazônicos. Isso sem falar no sangue dos índios já à venda na rede mundial de computadores.

    Para o professor Gonzalo Enriquez, da Universidade Federal do Pará (UFPA), o crescimento da biopirataria na Amazônia resulta da inércia governamental que tornou o País refém de detentores das tecnologias de ponta, que buscam de forma arbitrária, a transferência de recursos genéticos para suas indústrias, principalmente a farmacêutica.

    Grande Prejuízo

    O secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente (MMA), João Paulo Ribeiro Capobianco calcula que o prejuízo do Brasil pode variar de R$ 240 milhões a R$ 24 bilhões só no mercado de medicamentos e movimenta aproximadamente US$ 800 bilhões (R$ 1,7 trilhão) anuais.

    Capobianco disse à CPI da Biopirataria que o MMA adotou várias medidas para evitar essa sangria. As principais foram a regulação do acesso ao patrimônio genético e da repartição de benefícios; criação de nova legislação de acesso e repartição de benefícios; ação integrada de investigação e fiscalização, controle do registro de marcas, treinamento de fiscais para o combate à biopirataria, e a proteção dos conhecimentos tradicionais.

    Segundo ele, essas ações ajudam a reduzir pelo menos um tipo de biopirataria: a retirada ilegal de componentes da fauna e da flora brasileiras. Capobianco ainda acrescentou que o governo está preocupado com o uso indevido, o patenteamento e o comércio ilegal de recursos no exterior.

    Galo-da-serra

    O galo-da-serra é um pássaro do norte e noroeste da América do Sul. É considerado um dos mais espetaculares do mundo, tem plumagem fantástica e cortejo colorido. Somente duas espécies são conhecidas: o galo-da-serra andino (Rupicola peruviana) e o galo-da-serra-do-pará (Rupicola rupicola). Vivem sob árvores altas, perto dos rios e deixam este território somente na época da procriação para encontrar seu par.

    Ritual de procriação

    Os galos-da-serra ajudados pelas fêmeas preparam um círculo de dança limpando uma superfície plana que vai servir ao redor, enquanto as fêmeas agrupam-se em torno do palco. De repente um dos machos voa para o chão e executa uma dança estranha: abre as asas e vira a cabeça de um lado para o outro, bate os pés com força no chão e pula para cima e para baixo.

    Quando está exausto dá um grito característico, realiza a cena mais uma vez e volta ao galho. Um outro galo-da-serra toma o seu lugar no palco e o espetáculo continua até que todos os machos do bando tenham se apresentado.

  • Oito espécies de primatas habitam parque

    Corumbiara/RO – No Parque Estadual de Corumbiara, região do cone sul de Rondônia, uma área de transição entre os cerrados do pantanal mato-grossense e a Floresta Amazônica, vivem 57 espécies de mamíferos e 173 espécies de aves. A área de fronteira com a Bolívia é quase toda coberta por vegetação natural e chama a atenção pela pureza da flora e da fauna.

    Neste cenário destacam-se oito tipos de primatas, incluindo o Barrigudo (Lagothrix lagothricha), o Coxiú (Chiropotes albinasus), Auatá (Ateles chamek) e Guariba (Alouatta fusca).Dois tipos de primata representam os demais que vivem na região, são eles o Barrigudo e o Uacarari.

    Barrigudo – O macaco Barrigudo possui de 51 a 69 centímetros e sua calda mede entre 60 e 72 centímetros. Recebe esse nome por causa da proeminência da barriga. Em cativeiro, seu peso alcança até seis quilos. O pelo é curto e abundante e a cabeça compacta e redonda. Uma das suas principais características é possuir calda preênsil. Come folhas e frutas, mantém hábitos diurnos e vive nas árvores em grupos de 12 ou mais indivíduos. O macaco Barrigudo é dócil e calmo, pode ser domesticado. Habita o Brasil, Colômbia, Equador e Peru.

    Uacarari – Na Amazônia, os macacos Ucaris constituem a espécie menos conhecida entre os cientistas e até mesmo por habitantes da região oeste da Amazônia, onde vivem. Eles estão em florestas inundadas, de difícil penetração. Descobertos há mais de 150 anos, foram muito pouco observados. Vivem em bandos de 50 indivíduos. De acordo com o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Namirauá (IDSN), existem apenas duas espécies de Ucaris, ambas exclusivas do oeste amazônico: o Ucari de face vermelha (Cacajao calvus – com quatro subespécies), e o Uacari cabeça preta (Cacajao melonocephalus – com duas subespécies).

    Seus nomes populares são Ucaris, Aaris, Mcaco-bicó. Dos seis tipos de Ucari, o único estudado por mais tempo foi o Ucari que corre na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. As espécies adultas medem de 50 a 60 centímetros de comprimento e os machos chegam a pesar pouco mais de quatro quilos.

    Pesquisa

    A Universidade Federal de Rondônia (Unir) registrou na Usp, em 1981, pesquisadores para estudar o mimetismo em lagartos no Vale do Guaporé. Depois disso, a região continuou carente de pesquisa animal, em virtude de dificuldades que os pesquisadores encontram de realizarem seus estudos. Um exemplo disso ocorreu com o pesquisador visitante do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Marcus Maria Von Roosmalem, que em 2000 descobriu duas novas espécies de macacos na Amazônia, mas foi multado pelo Ibama porque tentou, sem autorização, retirar da floresta quatro macacos.

    Incêndios periódicos no Parque Corumbiara para renovação das pastagens, além do fato de as cabeceiras dos rios estarem situadas fora do território protegido aceleram o desmatamento e ainda a caça de cervos e animais maiores, considerados em declínio populacional, também justificam as pesquisas.

    Unidades de Conservação

    A Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá foi à primeira unidade de conservação desta categoria instalada no Brasil. Sua proposta resulta da solicitação encaminhada pelo biólogo José Márcio Ayres ao Governo do Estado do Amazonas, em 1985, para a criação de uma área de proteção para o primata Uacari branco (Cacajao calvus calvus), objeto de estudo de sua tese e doutorado, e ameaçado de extinção (Cambridge, 1986).

    De acordo com o site da reserva, o resultado obteve a criação da Reserva Ecológica Mamirauá, com uma área de 1,12 milhões de hectares. Na condição de Reserva Ecológica, havia proibição legal de permanência das populações locais. Depois de diversas negociações políticas modificou-se a categoria para Reserva de Desenvolvimento Sustentável, em acordo com a legislação estadual. Em nenhum momento, porém, ao longo do processo de negociação, as populações foram removidas da área.

    Para sua instalação elaborou-se um plano de manejo com base no resultado de pesquisas sociais e biológicas pelo período de cinco anos (1991-1996). Nesse plano de manejo constam as normas para o uso sustentado dos recursos naturais definidas com base nos resultados das pesquisas e das negociações realizadas com suas populações de moradores e usuários da reserva e com as principais organizações sociais atuantes na área. Este processo de negociação permanece, por meio das avaliações anuais dos investimentos e resultados, em assembléias anuais.

    Os resultados de dez anos de investimentos nesta área possibilitam avaliar as vantagens desta categoria de unidade de conservação que tem por base principal o desenvolvimento de um modelo de área protegida para grandes áreas de florestas tropicais. Por meio do manejo participativo, conservou-se a biodiversidade, os processos ecológicos e evolutivos.

  • Animais correm risco de extinção em Rondônia

    Porto Velho/RO – Treze espécies de animais entre mamíferos, pássaros e peixes correm o risco de sumir das florestas e rios rondonienses. Eles foram citados na Lista de Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, um inventário publicado em 2005 pela Fundação Biodiversitas.

    Entre os animais citados está a Onça Pintada, ícone dos animais selvagens encontrados na Amazônia. Técnicos do Instituto Brasileiro de Recursos Naturais Renováveis (Ibama) chamam a atenção ao fato de os treze animais serem somente os listados no Estado, havendo espécies que mesmo encontradas nas florestas rondonienses podem ter sido listadas nos estados vizinhos – relatório subestimado – o que representa que há bem mais animais em risco.

    Entre os animais citados em Rondônia encontram-se o tamanduá bandeira e o tatu canastra, mas o que mais corre risco de desaparecer é o pássaro Bicudo, que foi encontrado somente em um município do Estado, o qual os técnicos nem quiseram citar para não chamar a atenção dos traficantes da fauna.

    Unidades de conservação

    Segundo o analista ambiental do Ibama, Élio Tadeu Karzat, os animais em extinção vivem naturalmente em Unidades de Conservação, e são citados como um dos critérios para que sejam criadas novas unidades. Suas existências passam a ser monitoradas por equipes de fiscalização de órgãos ambientalistas que vistoriam e multam pessoas flagradas criando ou caçando animais da natureza. A multa varia de R$ 500 a R$ 5 mil e o caçador pode até ser preso.

    Para tentar controlar a fauna, no Brasil existem grupos de trabalhos que desenvolvem projetos para manter a preservação do patrimônio genético das espécies mais ameaçadas de extinção e praticam reprodução em cativeiro, programas de reintrodução, coletas e armazenagem de material biológico e genético, entre outras técnicas para evitar que animais como a ararinha azul, espécie que não existe mais na natureza, somente em cativeiro, não sejam extintos. A ararinha azul é uma espécie que vivia na região do nordeste do País.

    Segundo ainda o analista ambiental do Ibama, para que um animal seja citado como em risco de extinção são avaliadas a quantidade, distribuição e tamanho da população e se só existem em um lugar, casos chamados endêmicos. “Há vários animais que não foram listados, mas já estão correndo risco. Existem casos em que o senso da população ainda está subestimado, pela dificuldade na coleta de informações”, explica Karzat.

    Prevenção

    Para que algumas espécies não sejam extintas, os técnicos recomendam à população a nunca adquirir nenhum animal vindo da natureza. Os que mais despertam a atenção para serem criados em domicílios são papagaios, araras, macacos, pássaros e tartarugas. “Vale lembrar que estes animais representam riscos, pois podem ter doenças transmissíveis”, diz Karzat.

    A caça em Rondônia é citada como um problema cultural sério e difícil de controlar, mas segundo o analista ambiental, a população pode ajudar a fiscalizar, fazendo denúncia pelo telefone chamado Linha Verde: 0800-618080.

    Conheça os animais ameaçados

    Cuíca de Colete (espécie de gambá), Tatu Canastra, Tamanduá Bandeira, Cachorro Vinagre (cachorro do mato), Gato Maracajá, Onça Pintada, Ariranha (espécie de musquelídeo), Peixe Boi da Amazônia (pode ser encontrado na calha do rio Madeira), Cervo do Pantanal, Bicudo.

    Peixes em sobrepesca:

    Tambaqui, Tucunaré, Pirarucu

    * Retirado mais recursos do que a natureza pode repor. Nestes casos para preservação da espécie são estabelecidas proibições de pesca em época da reprodução e tamanho mínimo para captura.

  • Festival combate pesca predatória

    Cacoal/RO – Será realizado no dia 30 de abril o 2º Festival de Pesca Esportiva de Cacoal, evento que vai reunir cerca de 100 equipes vindas de toda a região central do estado. A competição é promovida pela Associação Ecológica Amigos da Pesca (Aspec), em parceria com a prefeitura e iniciativa privada. Serão oferecidos R$ 20 mil em prêmios.

    O secretário de Indústria e Comércio de Cacoal, Moisés Fernandes, disse que o festival vai abrir a temporada de pesca em Rondônia, depois de encerrado o Período do Defeso da Piracema, que terminou no dia 15 de março. O Defeso da Piracema é determinado pela Lei n° 7.679, de 23 de novembro de 1988, e estabelecido anualmente pelo Ibama, com a colaboração de órgãos, instituições e associações envolvidas com a pesca em cada bacia hidrográfica.

    A prefeita Sueli Aragão (PMDB) afirmou que o II Festival de Pesca Esportiva de Cacoal será um momento importante para a conscientização da comunidade local quanto à preservação dos recursos naturais e para a divulgação das potencialidades turísticas do município. Várias equipes de outras cidades já começaram a reservar apartamentos e cabanas nos hotéis de Cacoal que, nos últimos anos, vem se despontando na frente em infra-estrutura hoteleira e de turismo, em função da eficácia nos investimentos públicos.

    Os peixes fisgados durante a competição serão devolvidos com vida ao Rio Machado, onde 20 fiscais vão atuar durante o evento para medir, fotografar e devolver o pescado às águas. “A comunidade vai entender que o mais importante não é pegar os peixes e matá-los, mas respeitar a natureza, os peixes e as futuras gerações”, disse o secretário de Indústria e Comércio.

    Segundo o secretário de Indústria e Comércio, a Associação Ecológica Amigos da Pesca de Cacoal já conseguiu mostrar à comunidade que um bom pescador é aquele que sai para pescar, independente de qual seja o resultado. “Se o pescador traz o peixe, complementou a premissa de tudo o que ele organizou. Se ele não traz ou deixou de pegar o peixe esperado, não fica nervoso ou aborrecido, porque realizou a pescaria da mesma forma e é isso o que importa”. O objetivo do festival é combater ações predatórias por meio do conhecimento e prática das leis da pesca.

    A competição terá duração de seis horas. Os pescadores deverão ter em mãos a Carteira de Pesca emitida pelo Ibama, vão usar coletes salva-vidas e estarão assegurados contra acidentes durante a prova. Os pescadores poderão pescar com linhada de mão, molinete ou carretilha, com varas e linhas de medidas livres. O vencedor será a equipe que pescar o maior peixe, em comprimento, de todas as espécies, exceto peixe elétrico, raia, munssum e pirambóia. As inscrições estarão abertas até o dia 29 de abril.

  • Da Selva para a cidade

    Porto Velho/RO- Um antibiótico natural poderosíssimo, capaz de prevenir e combater diversas doenças, tem diversos adeptos em Rondônia, apesar de sua comercialização ter sido proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). É a vacina do sapo, também conhecida como kambô. Essa palavra indígena é usada tanto para se referir a rã phylomedusa bicolor quanto ao veneno obtido da secreção desse anfíbio. Na realidade não se trata de um sapo, e sim de uma rã.

    Os índios katukinas, do Acre, inicialmente eram os únicos detentores desse conhecimento. A vacina foi levada da selva para a cidade nos anos 60 pelo seringueiro Francisco Gomes Muniz, já morto. Ele viveu com os katukinas e aprendeu com o pajé a aplicar a vacina e a identificar a rã. De lá para cá, o kambô começou a ser aplicado nos centros urbanos do país.

    Em Porto Velho, a chamada vacina do sapo ganhou adeptos como a autônoma Maria Lopes, de 36 anos, que há cerca de um ano fez uma aplicação da substância. No caso, quem aplica a vacina não é chamado de doutor, e sim de “sapeiro”.

    “Soube que um sapeiro do Acre estava na cidade e fui procurá-lo”, conta ela. “Ele recomendou que eu tomasse quatro copos de água e fez três furinhos na batata da minha perna direita com um cipó incandescente. Com a ponta de um canivete, passou a secreção do sapo em cada furinho e me mandou sentar em uma cadeira. Comecei a sentir uma pressão muito grande na cabeça. Meus olhos se encheram de lágrimas e pareciam saltar para fora do meu rosto. Senti um mal estar horrível. Confesso que cheguei a me arrepender de ter feito aquilo. Vomitei várias vezes, mas logo depois já estava me sentindo bem. Minhas energias foram renovadas. Hoje, tenho mais disposição”, diz.

    Mas enquanto os adeptos e os “sapeiros” garantem a eficácia da chamada vacina do sapo, a Anvisa busca cada vez com maior insistência, a conscientização da população, além da regulamentação, para evitar abusos no consumo. A Anvisa já determinou a suspensão de toda a propaganda sobre as propriedades terapêuticas e medicinais da vacina. A agência considera o veneno algo típico da rotina indígena que está migrando descontroladamente para a cultura do homem branco e faz um alerta: Quem consome a substância está sujeito a sérios danos na saúde, já que o veneno está inserido em uma cultura, com rituais e alimentação apropriada. Ainda segundo a Anvisa, o uso do veneno fora das comunidades indígenas é perigosíssimo porque não há segurança comprovada e sequer uma avaliação científica.

    Reações são sinais de intoxicação
    As fortes reações provocadas pela vacina do sapo, de acordo com o cirurgião Alexandre Brito, de 33 anos, são sinais evidentes de intoxicação. Ele explica que a tontura, desorientação, aumento na freqüência dos batimentos cardíacos e na pressão arterial, deslocamento da pupila dos olhos e vômitos, reações típicas da vacina, são características tóxicas.

    “A forma como eles aplicam o veneno é muito perigosa. O furo feito na pele dos pacientes, para depois inserir a secreção, coloca a substância em contato direto com a circulação sanguínea e isso pode ser muito perigoso, porque há o risco de provocar sérias complicações e até uma parada cardíaca”, explica.

    Alexandre Brito alerta para que a população tenha cuidado antes de fazer a utilização de substâncias sem o poder de eficácia comprovado cientificamente, como o kambô.

  • Desmatamento já compromete biodiversidade

    Porto Velho/RO – Rondônia já desmatou 25% dos 238.512,80 hectares de sua área, ou seja, 5% além do permitido pela legislação. O comprometimento da cobertura florestal do Estado já ameaça a biodiversidade e o ecossistema regionais, com a ameaça iminente de extermínio de diversas espécies animais e vegetais.

    As denúncias são do engenheiro florestal Carlos Alberto, de Belém (PA). Ele prevê a desertificação da região nos próximos dez anos, por causa dos desmatamentos e das queimadas indiscriminadas, que acontecem, tradicionalmente, durante o rigoroso verão amazônico, fenômeno que ocorre no período de março a outubro de cada ano. “Centenas de animais e vegetais já foram extintos pela ação humana no ecossistema”, assegura o engenheiro florestal.

    Retroagindo no tempo, ele lembra que a Portaria n 37, de 3 de abril de 1992, lista centenas de animais e vegetais ameaçados de extinção. Dentre estes, enumerou o pau-rosa, castanheira, sucupira, homélias, orquídeas, pau-brasil, cervo, mico-leão, tatu, ariranha, papagaio, arara e peixe-boi.

    Especialista em educação ambiental, Carlos Alberto explica que o desmatamento legalmente permitido na Região Norte era de 50% na propriedade rural, sendo reduzido para 20%, por força de lei. “Mesmo assim, por falta de fiscalização, a legislação florestal não vem sendo cumprida à risca. Pela extensão do Estado, pela diminuta quantidade de fiscais e operações de fiscalização e ações preventivas quase ausentes e a precária situação institucional, é muito otimismo dizer que o desmatamento está sob rigoroso controle”, disparou o técnico do Governo paraense.

    Limites ultrapassados

    De acordo com o renomado ambientalista, existem municípios com intensa produção (agropecuária, por exemplo), que já ultrapassaram todos os limites permitidos, como Rolim de Moura (70% de sua área), Presidente Médici (69%), Ouro Preto do Oeste (66%), Ariquemes e Cabixi com quase 60% de desmatamentos de suas áreas.

    Carlos Alberto diz que pouco ou quase nada tem sido feito, na prática, para conter o avanço do desmatamento indiscriminado, não só em Rondônia, mas sobretudo em toda a Amazônia brasileira.

    Mestrando em Desenvolvimento Regional Sustentável e Meio Ambiente, Carlos Alberto garante que Rondônia é um dos estados da Região Norte , onde a falta de fiscalização ostensiva está propiciando o desmatamento indiscriminado, pois os “toreros” continuam derrubando e transportando madeira ilegalmente, inclusive roubadas de áreas indígenas e das unidades de conservação permanente.