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Economia verde – a bioeconomia
Edson Silva
quarta-feira, 21 de setembro de 2005
A Amazônia tem o encanto e a frescura das telas acabadas de concluir. Conserva a tepidez do último dia da criação. E as impressões digitais do Supremo Criador. Ali, está dispersa por todos os cantos a grandiosidade. Nas águas, na terra e no céu. Não há maior esplendor crepuscular em nenhuma outra parte do mundo. Nem mais ofuscante meio-dia. Nem mais fascinante luar. Ali, o clarão da lua constitui uma alvorada azul, que é transformada em prata, ao toque mágico com a epiderme das águas e flui em torrentes argênteas ao longo das copas farfalhantes. Tudo tem grandeza excepcional. Até o próprio perigo.

Em 1864, após uma grande seca no Ceará, uma grande leva de brasileiros que estavam passando necessidades naquele estado-irmão descobriram um grande filão – explorar o látex de uma árvore nativa da Amazônia (encontrada apenas nesta floresta tropical), foi utilizada como matéria-prima para confecção de pneus. Estávamos em plena revolução industrial, e na Europa a borracha fazia sucesso. Nossos conterrâneos cearenses fizeram a “América” explorando nossos seringais, enquanto os europeus tentavam em vão cultivar a árvore mágica da Amazônia no clima temperado. Após a primeira grande guerra, depois de várias tentativas, conseguiram domesticar a Hevea brasiliensis em clima tropical de suas colônias no oriente, mais precisamente no Ceilão.

Em seguida os norte-americanos lograram êxito com a borracha sintética, o que determinou a queda de importância do precioso látex originário de nossas florestas tropicais. Com apenas um produto – a borracha, conseguimos durante algum tempo transformar Manaus e Belém em cidades importantes no roteiro econômico mundial. Neste período surgiram teatros nas duas cidades que faziam inveja em grandes metrópoles européias.

É certo que vivemos um novo tempo. Passamos a era da Agricultura, deixamos para trás a era industrial, e ingressamos no século da biotecnologia. Que papel a Amazônia terá neste novo momento mundial? E nós, amazônidas, como nos comportaremos diante de uma riqueza ainda não mensurada?

Segundo a Conservation International, dos 17 países mais ricos em biodiversidade do mundo (entre os quais figuram Estados Unidos, China, Índia, África do Sul, Indonésia, Malásia e Colômbia), o Brasil está em primeiro lugar disparado: detém 23% do total de espécies do planeta. Só para efeito de comparação, a Suíça tem apenas um planta “endêmica” (que só existe lá), a Alemanha, 19 e o México, 3.000. O Brasil tem 20.000, apenas na Amazônia. Apenas 5% da flora mundial foi estudada até hoje e só 1% é utilizada como matéria-prima. A biodiversidade brasileira, portanto, é o cofre de um patrimônio químico inexplorado de remédios, alimentos, fertilizantes, pesticidas, cosméticos, solventes, óleos e energias, além de moléculas, enzimas e genes em número quase infinito.

A Floresta Amazônica abriga 5.000 espécies de árvores. A Floresta temperada da América do Norte só tem 650 espécies de árvores. A Amazônia pode ter até 300 tipos de árvores por hectare. Uma Floresta temperada não tem mais de 25 tipos de árvores por hectare. O Brasil é o país com a maior diversidade biológica. A Colômbia vem em segundo e a Indonésia em terceiro. Em território brasileiro da Amazônia Legal temos o Vale do Juruá, no Acre (considerada a primeira área em diversidade biológica do planeta), e Cacaulândia, em Rondônia (festejada juntamente com Pakitza e Tambopata, no Peru, como as vice-campeãs em biodiversidade).

Pouco tem sido feito para que tomemos conhecimento de que somos detentores de um patrimônio natural equivalente a dois (2) trilhões de dólares. Em assim sendo, o Brasil pode se transformar na maior potência mundial da bioeconomia. Um mundo no qual o Brasil tem uma vantagem competitiva inigualável: a riqueza de sua biodiversidade. A variedade de espécies de plantas e animais existentes no ecossistema brasileiro contém um tesouro biológico de genes, moléculas e microorganismos sem paralelo no conjunto das nações do globo. A água, segundo estudiosos de cenários futuros, será o foco de grandes disputas internacionais. Neste quesito também somos abençoados pelo criador por termos a maior bacia fluvial do globo, com possibilidades reais de implantarmos projetos de grande porte de piscicultura em água doce, de fornecimento de água para regiões carentes desse produto.

Hoje, tanto se fala em venda de crédito de carbono, em projetos que compensem o desgaste ambiental produzido pelo homem no século XX. Em projetos de reflorestamento, de redução de emissão de gases poluentes, em aproveitamento racional do lixo produzido, entre outros. São medidas mitigadoras importantes, necessárias e racionais que se harmonizam com o desenvolvimento sustentável, amparados no trinômio economia, meio ambiente e social. Diante de tantas oportunidades e ameaças os habitantes da Amazônia precisam entender melhor qual o seu papel, o que podem fazer pela sua terra, como podem sobreviver em meio a essa riqueza, de forma digna, permitindo a pesquisa da biodiversidade ainda existente, sem comprometer o futuro das gerações vindouras. Esta cultura precisa urgentemente ser implantada, permitindo alguma compensação aos que preservam a riqueza da Amazônia, que com certeza está sendo socializada com toda a humanidade.

Edson Silva, Auditor para a implantação do processo de Qualidade Ambiental.
ed-sonolisil@hotmail.com

fonte: amazoniaavista.com
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